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quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Carta de Johannes Aecolampadius para Hulrich Zwingli

20 de agosto de 1531.[1] 

 Saudações. Eu li, mui querido irmão, a opinião que você expressou a respeito do caso do rei da Inglaterra, e eu prontamente concordo com ela, percebendo claramente com que julgamento imparcial você pesou todas as circunstâncias do caso; e, não tenho dúvidas de que o resultado deste esforço não será motivo de arrependimento. Agradeço, portanto, por isso. Ficarei com a cópia que você redigiu, a qual, entretanto, lhe será devolvida, se assim o desejar. Minha opinião em nada difere da sua, exceto na maneira de expressá-la: você deve ler por si mesmo, já que não é muito extensa, mas ela é quase como uma carta. Bucer e Capito, até agora, sustentaram pontos de vista diferentes dos nossos; mas espero que, ao lerem a sua opinião, não mais discordem de nós, embora estejam muito preconceituosos em favor de suas próprias opiniões, especialmente de uma delas, circunstância que ocasiona não pequenos inconvenientes para uma igreja tão diferente. Eles permitiriam que o rei tivesse duas esposas: mas, esteja longe de nós seguirmos a Maomé neste aspecto, em vez de Cristo. 

 Então, com respeito à reconciliação com os cinco cantões, gostaria de estar enganado; mas, embora algumas pessoas esperem isso, não tenho a menor esperança que ocorra, a menos que uma das partes se humilhe ou seja humilhada. Eu tinha escrito anteontem (e pretendia entregar esta carta ao seu mensageiro, mas não o encontrei) por desejo urgente de quem enviou a resposta do Conselho ao seu povo. Envio a carta, embora agora seja fora de época e supérflua; mas desejo que você seja informado da ansiedade de seu amigo, mesmo que seja inútil. Adeus, com sua esposa e irmãos.[2] 

Aecolampadius. 


 NOTAS: 
 [1] Rev. Hastings Robinson,Original Letters Relative to the English Reformation (Cambridge, The Cambridge University Press, 1847), pp. 551-552. 
 [2] Esta é a última carta de Aecolampadius para Zwingli, visto que o reformador suíço alemão falece em 10 de outubro de 1531. Nota do tradutor.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Os Artigos de Marburgo [1529]

Estes artigos são resultado do colóquio de Marburgo, realizado entre os dias 1 a 4 de Outubro de 1529, organizado pelo Princípe eleitor Philip de Hesse.

Artigo I
Que nós de ambos os lados, cremos e confessamos unanimemente que há apenas um único verdadeiro Deus natural, criador de todas as criaturas, e que este mesmo Deus é um em essência e natureza e trino em pessoas, a saber, Pai, Filho e Espírito Santo, como foi decretado no Concílio de Nicéia e é cantado e lido no Credo Niceno pela Igreja Cristã inteira em todo o mundo

Artigo II
Cremos que não o Pai, nem o Espírito Santo, mas o Filho de Deus Pai, ele próprio por natureza Deus verdadeiro, se tornou homem mediante a operação do Espírito Santo, sem a colaboração de semente masculina, nascendo da pura Virgem Maria, completo em corpo e alma como outro homem qualquer, mas sem pecado.

Artigo III
Que este Filho de Deus e de Maria, não dividido na pessoa, Jesus Cristo, foi crucificado por nós, morreu, foi sepultado, ressuscitou dos mortos, subiu ao céu, está assentado à direita de Deus, Senhor sobre todas as criaturas, e virá para julgar os vivos e os mortos.

Artigo IV
Cremos que o pecado original é inato, e herdado por nós de Adão, e é pecado de tal espécie que condena todas as pessoas. E se Jesus Cristo não tivesse vindo para nos ajudar com sua morte e vida, ser-nos-ia necessário morrer eternamente e não poderíamos ter entrado no reino de Deus e alcançado a salvação.

Artigo V
Cremos que somos salvos desse pecado e de todos os outros pecados, bem como da morte eterna, se cremos neste Filho de Deus, Jesus Cristo, que morreu por nós e que, além dessa fé, nenhuma obra posição ou ordem nos pode livrar de qualquer pecado.

Artigo VI
Que essa fé é dádiva de Deus, que não podemos obter mediante quaisquer obras precedentes ou méritos, nem adquirir por meio de nossas próprias forças, mas o Espírito Santo outorga e cria essa fé em nossos corações, como lhe agrada, quando ouvimos o Evangelho ou Palavra de Cristo.

Artigo VII
Que essa fé é nossa justiça perante Deus, em vista da qual Deus nos reconhece e nos considera justos, piedosos e santos, sem todas as obras e méritos e, por intermédio dela, nos livra do pecado, da morte e do inferno, e nos recebe em sua graça e nos salva, mediante seu Filho, no qual cremos e assim usufruímos e compartilhamos sua justiça, vida e todos os bens. Portanto, toda a vida e os votos monásticos, quando se considera que contribuem para a salvação, são completamente condenados.

Artigo VIII
Que o Espírito Santo normalmente não outorga essa fé ou dádiva a ninguém sem pregação, ou a palavra oral, ou tendo precedido o Evangelho de Cristo, mas, mediante essa palavra oral, e com ela produz e cria a fé onde e em quem lhe agrada (Rm 10:17).

Artigo IX
Que o Santo Batismo é um sacramento que foi instituído por Deus como auxílio a essa fé, e porque a ordem de Deus “ide, batizai”, e a promessa de Deus “aquele que crê” estão contidas nele, não é mero sinal vazio ou senha entre cristãos, mas antes sinal e obra de Deus Poe cujo intermédio nossa fé cresce e somos regenerados para a vida eterna.

Artigo X
Que essa fé, quando fomos considerados e declarados justos e santos por intermédio, pela eficácia do Espírito Santo, pratica boas obras por nosso intermédio, a saber, amar nosso próximo, orar a Deus e sofrer toda espécie de perseguição.

Artigo XI
Que a confissão ou busca de aconselhamento com seu pastor ou próximo deve, na verdade, ser voluntária e livre, não obstante, é muito útil às consciências aflitas, atribuladas ou oprimidas pelos pecados, ou que caíram em erro, especialmente devido à absolvição ou ao consolo do Evangelho, que é a verdadeira absolvição.

Artigo XII
Que todos os magistrados e leis seculares, tribunais e decretos, onde quer que existam, são verdadeiramente bons, e não são proibidos como alguns do papado e anabatistas ensinam e sustentam. Pelo contrário, que o cristão que nasce ou é chamado para uma dessas instituições, certamente pode ser salvo pela fé em Cristo, do mesmo modo como no estado de pai ou mãe, esposo ou esposa, etc.

Artigo XIII
O que se denomina tradição ou ordenança humana em questões espirituais ou eclesiásticas, caso não contradiga evidentemente a palavra de Deus, pode ser conservado ou abolido livremente conforme (a necessidade) do povo com o qual tratamos, a fim de evitar escândalo desnecessário na prática do amor para o fraco e para se preservar a paz. Também que a doutrina da proibição do matrimônio dos sacerdotes é doutrina do demônio (1 Tm 4:1 ss.)

Artigo XIV
Que o Batismo de crianças é correto, e que, mediante ele, elas são recebidas na graça de Deus e na cristandade.

Artigo XV
Todos cremos e sustentamos, no tocante à Ceia de nosso querido Senhor Jesus Cristo, que ambas as espécies devem ser usadas segundo a instituição de Cristo; também que a missa não é obra mediante a qual se obtém graça para outros, vivos ou mortos; também que o sacramento do Altar é o sacramento do verdadeiro corpo e sangue de Cristo, e que a participação espiritual desse corpo e sangue é especialmente necessária para todo cristão verdadeiro. Do mesmo modo, que o uso do sacramento, tal como acontece com a Palavra, é dado pelo Deus onipotente a fim de que consciências fracas possam, por seu intermédio, ser estimuladas a fé, pelo Espírito Santo. E apesar de, no momento, não concordarmos quanto a se o verdadeiro corpo e sangue de Cristo estão corporalmente presentes no pão e vinho, apesar disso, cada lado deve demonstrar amor cristão ao outro, o quanto permitir a consciência, e ambos devem orar com fervor ao Deus onipotente para que ele, mediante seu Espírito, nos confirme na reta compreensão Amém.

Martinus Luther, Johannes Brentius, Justus Jonas Johanes Oecolampadius, Philipus Melanchthon, Huldrychus Zwinglius, Andreas Osiander, Martinus Butzerus, Stephanus Agrícola, Caspar Hedio.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ulrich Zwingli: uma carta ao bom povo de Appenzell [1526]

Em vários lugares Zwingli despreocupadamente se referiu a Appenzell como um ninho de atividade anabatista. Embora necessariamente não estivesse incorreta a sua acusação causou um pouco de contenda (mesmo ele nunca tendo, francamente, acusado o governo da cidade de quaisquer simpatias com os anabatistas). Então, numa tentativa de esclarecer os fatos, em 12 de fevereiro de 1526, ele escreveu:[1]

"Graça e paz da parte de Deus para vocês, respeitados, honrados, sábios, clementes, graciosos e amados Mestres: um caso extremamente infeliz aconteceu comigo, em que fui acusado publicamente diante de suas reuniões de adoração, ter insultado com palavras indecorosas e, se diga com todo o respeito, de ter chamado vocês de hereges, meus graciosos governantes do Estado.

Estou tão longe de aplicar esse nome a vocês, que eu deveria em breve, pensar em chamar o céu de inferno. Por toda a minha vida eu tenho pensado e falado de vocês em termos elogiosos e honra, senhores de Abtzell, como o faço agora, e, como Deus me favorece, deverei fazer até ao fim dos meus dias.

Mas não aconteceu há muito tempo, quando eu estava pregando contra os Catabatistas[2] que eu usei essas palavras: 'os Catabatistas estão agora a fazer tanto mal aos honestos cidadãos de Abtzell e estão mostrando tão grande insolência, que nada poderia ser mais infame.’ Vocês podem perceber, gentis senhores, com que modéstia eu os tenho em consideração, porque os Catabatistas turbulentos lhes causaram tantos problemas. Na verdade, eu suspeito que os Catabatistas são as mesmas pessoas que criaram este sermão contra mim em circulação entre vocês, pois eles fazem muitas destas coisas que não os tornam verdadeiros cristãos. Portanto, gentis e sábios senhores, peço mais sinceramente que vocês tenham me desculpado ante toda a comunidade, e, se for o caso, que vocês leiam esta carta em assembleia pública.

Senhores, eu lhes garanto, em nome de Deus, o nosso Salvador, nestes tempos perigosos que nunca vocês estiveram fora de meus pensamentos e minha solícita ansiedade; e se de alguma forma eu serei capaz de servir a vocês, que eu não poupe esforços para fazê-lo. Além do fato de que eu nunca usei esses termos, mesmo contra os meus inimigos, deixe-me dizer que nunca entrou na minha mente a aplicação de tais epítetos insultuosos a vocês, meus senhores piedosos e sábios.

Seja isto suficiente. Que Deus vos conserve em segurança, e que Ele possa colocar um freio nessas falsidades desenfreadas que estão sendo espalhadas por toda parte, o que é uma evidência de alguns grandes perigos - e que Ele possa realizar seus cultos e o completo estado na verdadeira fé em Cristo! Receba esta minha carta como boa parte, pois eu não poderia sofrer assim, com base numa falsidade contra mim, sem que desmentisse esta acusação.”


NOTAS:
[1] O texto original alemão foi traduzido por S.M. Jackson: Gnad und frid von gott. Hochgeachte, ersame, wysen, gnädige, günstige lieben herren Es kumpt mir eigenlich für, wie ich vor üwer wysheit offenlich gescholten sye, als ob ich uch, mine gnädigen herren gemeins lands, bescholten habe mit etwas ungeschickten worten und urloub vor üwer eer kätzer genempt hab, welchs als verr vor mir ist, als das ich geredt hab, die hell sye der himel. Ich hab all min läbtag herlich und erlich von uch minen herren von Abtzell geredt und gehalten, und noch hüt bi tag und, ob gott wil, bis in minen tod. Es hat sich aber in vergangner zyt begeben, do ich wider die widertöuffer gepredget, also geredt hab: “Die widertöuffer gebend ietz den biderben lúten zuo Abtzell so vil muey und arbeit ze schaffen und tribend so vil muotwillens, das ‘s ein spott ist”. Sehend, gnädigen herren, mit was zucht ich erbermd hab mit üwer wysheit gehebt, das úch die verwirrigen töuffer so vil unruowen gestattend. Aber ich zwyfel eigenlich, das mir die widertöuffer selb sölchen lümbden by úch ufgeblasen habind; dann sy tuond der dingen vil, die christenen warhaften menschen nit wol anstond. Hierumb, gnädige wyse herren, wellend mich umb gotzwillen vor gantzer gemeind verantwurt haben und, hatt es fuog, ouch disen brief vor gantzer gemeind vorlesen lassen; dann ich by gott, der üns alle erlöst hatt, sag, das ir mir uss miner sorg und angst in disen gevarlichen zyten nimmer kumend; und wo ich úch für andre yenen gedienen könd, wölt ich mich nit sparen. Darzuo hab ich minen fygenden all min tag nie sölichs zuogeredt, was wolt ich denn úch frommen wysen herren und ein gantze biderbe gemeind mit sölcher unghander red beladen? Nit me denn: sind gott bevolhen; der welle üns sölcher fräfnen lügen abhelffen, die allenthalb werdend fürggeben, das doch ein gwüss zeichen ist einer großen gevar, und üwer wisheit sampt gantzer gemeind in warem christenem glouben behalten. Derstond min schryben imm besten; dann ich sölchen unerberen lug nit hab mögen uff mir ligen lassen. Geben z’ Zürich xij. tags Hornungs M.D. xxvj. Üwer wysheit williger Huldrych Zuingli. Den frommen, fürsichtigen, ersamen, wysen amman, radt und gantzer gemeind zuo Abbtzell, sinen gnädigen, günstigen, lieben herren.
[2] Catabatistas é outro termo usado por Zwingli para os anabatistas.


Extraído de https://zwingliusredivivus.wordpress.com/2015/02/12/today-with-zwingli-a-letter-to-the-good-people-of-appenzell/

Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki em 8 de Abril de 2015.
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho
Professor de Teologia Sistemática

sexta-feira, 7 de março de 2014

Ato e uso da Santa Ceia do Senhor por Hulrich Zwingli [1525]

O TEXTO[1]

O profeta[2] ou pastor[3] orará de frente para o povo[4] com voz imposta e clara,[5] dizendo:
Oh! Deus onipotente e eterno, a quem honram como é devido a todas as criaturas, a quem adoram e louvam como Fazedor, Criador e Pai; concede-nos, nós que somos pobres pecadores, o que fielmente e com fé celebramos, louvando-te, com ações de graças que o teu Filho Unigênito, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, ordenou aos crentes em memória de sua morte. Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, o teu Filho, que contigo vive e reina em união com o Espírito Santo, Deus de toda eternidade. Amém.

O diácono ou leitor dirá com voz imposta, assim: o que vamos ler está escrito na 1ª Epístola de Paulo aos Coríntios, capítulo 11. (é realizada a leitura da Escritura).

Os diáconos e toda a congregação, declaram em seguida: Louvado seja Deus!

O cântico[6] de louvor será iniciado pelo pastor com a primeira estrofe e então todo o povo, homens e mulheres,[7] recitarão uma estrofe após a outra:

Pastor: Glória a Deus nas alturas!
Homens: E paz na terra!
Mulheres: E aos homens de boa vontade!
Homens: Louvamos e exaltamos a Ti.
Mulheres: Adoramos e honramos a Ti.
Homens: Damos graças por tua grande glória e tua bondade, oh! Senhor e Deus, rei dos céus, Pai e onipotente!
Mulheres: Oh! Senhor, Filho Unigênito, Jesus Cristo e Espírito Santo.
Homens: Oh! Senhor, Deus, tu Cordeiro de Deus, Filho do Pai, que tira o pecado do mundo, tem compaixão de nós.
Mulheres: Tu que tiras os pecados do mundo, aceita a nossa oração.
Homens: Tu que estás assentado à direita do Pai, tem compaixão de nós.
Mulheres: Pois somente Tu és santo.
Homens: Somente Tu és Senhor.
Mulheres: Somente Tu és o Altíssimo, Jesus Cristo com o Espírito Santo na glória de Deus Pai.
Homens e mulheres: Amém.

Agora o diácono diz ao leitor: O Senhor seja convosco!
O povo responde: E com o teu espírito.
Leitor: A leitura do Evangelho se encontra escrita no evangelho de João, capítulo 6.
O povo responde: Louvado seja Deus!
Leitura bíblica: (Jo 6:47-63)[8]
Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá. Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente. Estas coisas disse Jesus, quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum. Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza? Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.
Leitor (após a leitura, ele beija o livro) diz: Demos louvor e graças! Que Ele conforme a sua santa palavra perdoe todos os nossos pecados.
O povo responde: Amém.

O diácono:[9] Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra.
Homens: Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
Mulheres: o qual foi concebido do Espírito Santo,
Homens: nasceu da Virgem Maria,
Mulheres: padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,
Homens: foi crucificado, morto e sepultado, desceu aos infernos,
Mulheres: no terceiro dia ressuscitou dos mortos,
Homens: subiu aos céus, está sentado à destra de Deus, o Pai onipotente,
Mulheres: donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Homens: Creio no Espírito Santo,
Mulheres: na santa igreja católica,
Homens: na comunhão dos santos,
Mulheres: na remissão dos pecados,
Homens: na ressurreição da carne
Mulheres: e na vida eterna.
O povo: Amém.

Diácono: Agora, amados irmãos, vamos comer o pão e beber conforme a instituição de nosso Senhor Jesus Cristo e como ele ordenou: Em sua memória, com louvor e ações de graças por ter morrido por nós e derramado o seu sangue lavando com ele os nossos pecados. Portanto, que cada um pense, segundo admoesta Paulo, que consolo, que fé e confiança tem em nosso senhor Jesus Cristo, a fim de que ninguém considere-se crente, não sendo, e por não ser se faça culpado da morte do Senhor e peque contra toda a Igreja cristã, que é o corpo de Cristo. Ajoelhai-vos e orai:

Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
Venha o teu reino,
Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;
E não nos deixes cair em tentação;
Mas livra-nos do mal
.[10]

O povo responde: Amém.
Diácono: Oh! Senhor, Deus onipotente, que por teu Espírito nos concedeu estar unidos na mesma fé, e com isto fez que sejamos o teu corpo: a este corpo tem ordenado que te louve, e lhe dê graças pelo bem e generoso bem que tem recebido, entregando o teu Filho Unigênito, o nosso Senhor Jesus Cristo. Outorgando-nos que fielmente te louvemos e demos graças e não provoquemos com hipocrisia ou falsidade a verdade que não consente com enganos. Concede-nos também o poder viver em pureza, como corresponde a teu corpo, aos que fez membros de tua família e teus filhos, a fim de que igualmente os incrédulos aprendam reconhecer o teu nome e a tua honra. Senhor guarda-nos de que por nossa causa, o teu nome e honras sejam escarnecidos; Senhor aumenta continuamente a nossa fé, ou seja, a nossa confiança em Ti, que vives e governas, Deus de toda a eternidade. Amém.

Diácono: (leitura de 1 Co 11:23-34)[11]
Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. Assim, pois, irmãos meus, quando vos reunis para comer, esperai uns pelos outros. Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo. Quanto às demais coisas, eu as ordenarei quando for ter convosco.

Terminada a leitura, os diáconos reconhecidos como tais, oferecem o pão ázimo a todos, e que cada crente pegue com a sua própria mão um pedaço de pão, ou aceite o pão da mão do diácono que o oferece. Uma vez que cada um tenha comido o seu pedaço de pão, os outros diáconos se aproximam com o cálice e de igual modo dão de beber a cada um. E que tudo isto se faça com o respeito e a decência própria da Igreja de Deus, e da Ceia de Cristo.

Logo após comer e beber, seguindo o exemplo de Cristo, declarem o Salmo 113, com ações de graças. Começará com o pastor.
Pastor: Louvai, oh! Servos do Senhor, louvai o nome do Senhor!
Homens: Louvado seja o nome do Senhor agora e até a eternidade!
Mulheres: Desde que se levante o sol, até o seu repouso seja louvado o nome do Senhor.
Homens: O Senhor é engrandecido sobre todos os povos e sua honra exaltada acima dos céus.
Mulheres: Quem é o Senhor, nosso Deus, que estando tão alto se inclina para olhar os céus e a terra?
Homens: O Senhor que dentre o pó levanta ao humilde, e ao pobre tira da imundícia.
Mulheres: E os assenta com os príncipes, com os príncipes de seu povo.
Homens: O Senhor que a mulher estéril concede a maternidade e faz que tenha alegria nos seus filhos.
Pastor: Senhor, damos-te graças por todos os bens e dádivas; graças, Senhor, que vives e governas, Deus de toda a eternidade.
O povo: Amém
.
Pastor: Ide em paz.


NOTAS:
[1] M. Gutiérrez Marín comenta que “o tratado prescreve que a Santa Ceia fosse celebrada quatro vezes por ano (Páscoa da Ressurreição, Pentecostes, o 11 de Setembro, ou seja, quando antes da Reforma se venerava aos santos Félix e Régula, e no Natal)” in: Zuinglio – Antología (Barcelona, Producciones Editoriales del Nordeste, 1973), p. 112. O texto do impresso em Março ou início de Abril, sendo esta liturgia usada pela primeira vez em 13 de Abril de 1525. Nota do tradutor.
[2] Por profeta, Zwingli entendia o “pregador”, e não alguém que pudesse falar novas revelações extra-bíblicas. M. Gutiérrez Marín observa que para ele profecia significava “a profunda investigação da Sagrada Escritura, e isto de modo que os pregadores formados, ou ainda em preparo, estivessem bem preparados.” Zuinglio – Antología, p. 34.
[3] Entre 26 a 28 de Outubro de 1523, Zwingli pregou numa conferência que reuniu cerca de 350 pastores suíços. A pedido de Joachim Vadian, dirigente da Reforma em San Gall, publicou o sermão em 26 de Março de 1524, com o título de “O Pastor.” Este tornou-se um tratado de teologia pastoral. Este sermão será em breve publicado aqui no blog.
[4] A liturgia tradicional católico romana ainda hoje preserva a prática do celebrante no momento de consagrar a hóstia dar as costas para o povo.
[5] Não mais em latim, mas em vernáculo comum.
[6] O uso de instrumentos era ausente no culto da Igreja de Zurique nos dias de Zwingli, apesar ser o reformador um exímio músico sabendo manusear instrumentos como alaúde, harpa, violino, flauta, címbalo, cítara de cordas, também compositor, tendo-se preservado pelo menos 3 hinos de sua autoria. Hannes Reimamm esclarece que Zwingli “não teve tempo de formular uma doutrina sobre o cântico no culto, senão que também com respeito a esta questão encontrava a meio caminho. E isto é próprio de um homem cujas características não eram a imobilidade, mas o dinamismo. O fato dele não conseguir conjugar a música com o culto e ter abolido radicalmente o cântico de Salmos por corais na missa, não significa que quisera abolir para sempre a música e os cânticos nos lugares destinados ao culto.” Hannes Reimamm, “Die Einführung des Kirchengesanges in der Zürcher Kirche nach der Reformation” (Zürich, 1959) citado por M. Gutiérrez Marín, Zuinglio – Antología, p. 111. Interessante notar que a partir de 1533 são impressos 17 hinários diferentes em Zurique. A maioria deles com o título “Salmos e cânticos espirituais”, contendo melodias alemãs e uma parte com o subtítulo “Salmos de Davi” contendo melodias francesas; parte deles eram salmos metrificados, e ainda alguns cânticos compostos por Lutero, e canções adaptadas com letras bíblicas ou doutrinárias. Nota do tradutor.
[7] M. Gutiérrez Marín comenta que “os homens se sentavam no lado direito e as mulheres no lado esquerdo do templo. O pão e o vinho eram servidos em bandejas de madeira, sendo repartido pelos diáconos para a congregação que permanece sentada. Não havia nem música nem cânticos.” Zuinglio – Antología, p. 112.
[8] Optei por citar a versão ARA.
[9] O diácono dá início e em seguida, os homens e as mulheres alternam recitando o Credo Apostólico, e todos juntos findam dizendo: Amém. Nota do tradutor.
[10] A oração do Pai Nosso é feita sem a doxologia da segunda metade do verso 13. Optei por citar a versão ARA. Nota do tradutor.
[11] Optei por citar a versão ARA. Nota do tradutor.


Extraído de M. Gutiérrez Marín, Zuinglio – Antología (Barcelona, Producciones Editorial del Nordeste, 1973), pp. 112-117.

Traduzido em 8 de Setembro de 2010
Revisado em 7 de Março de 2014
Rev. Ewerton B. Tokashiki
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho
Professor de Teologia Sistemática no SPBC-RO

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Os Artigos com as 67 Conclusões de Hulrich Zwingli [1523]


Os artigos[1]
Eu, Hulrich Zwingli,[2] confesso ter pregado[3] na nobilíssima cidade de Zurique os artigos e conclusões que passarei a expor. Encontram-se baseados na Sagrada Escritura, a “theopneustos”, ou seja, a [palavra] inspirada por Deus. Ofereço-me para defender estes artigos, e estou disposto a ser ensinado,[4] caso não tenha compreendido[5] corretamente a Sagrada Escritura;[6] mas, qualquer correção que me faça permanecer fundamentado somente[7] na Sagrada Escritura.[8]

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[ este texto foi retirado por motivo de publicação ]

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Extraído de James T. Dennison, Jr., ed., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English Translation – 1523-1552 (Grand Rapids, Reformation Heritage Books, 2008), vol. 1, págs. 1-8; ainda, recorrendo ao texto original e notas de Phillip Schaff, “Articuli sive conclusiones LXVII. H. Zwinglii” in: The Creeds of Christendom (Grand Rapids, Baker Books, 2007), vol. 3, pág. 197, e também da tradução hispânica com notas preparadas por M. Gutiérrez Marín, Zuinglio – Antología (Barcelona, Producciones Editoriales del Nordeste, 1973).

Tradução e notas revisadas em 23 de Fevereiro de 2014.
Tradução e notas de Rev. Ewerton B. Tokashiki

Observação: Sou grato ao Rev. Alexandre Ribeiro Lessa por revisar a língua portuguesa e fazer preciosas sugestões de estilo na tradução. Obviamente se ainda há algum erro, assumo toda a responsabilidade.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

As 10 Teses de Berna [1528]

Introdução histórica

A Reforma teve início na Alemanha e encontrava adeptos na Suíça. Thomas Wyttenbach, um professor da Universidade de Basiléia,[1] produzia discípulos cada vez mais influentes no cantão leste. A teologia e as práticas da Igreja Católica Romana estavam progressivamente sendo mais questionadas na região de língua alemã. Deste modo, as cidades de Zurique, liderada por Hulrich Zwingli, Berna sob a liderança de Berthold Haller,[2] Sebastian Meyer[3] e Franz Kolb, e Basiléia com Thomas Wyttenbach influente mentor dos demais,[4] tornavam-se uma ameaça para o monopólio religioso romano.

Os governantes civis de Berna seguiram o exemplo de Zurique[5] e convocaram um concílio para realizarem um debate público em alemão, e não em latim. A reunião ocorreu durante o período de 7 a 26 de Janeiro de 1528, entretanto, os debates tiveram início formal em 15 de Janeiro. O concílio terminou no dia 26 de Janeiro, com a subscrição da maioria dos clérigos de Berna.

De um lado estariam os pregadores protestantes defendendo as suas conclusões teológicas. Assim foram as 10 Teses preparadas e defendidas pelos ministros que deram início à reforma da Igreja de Berna, Berthold Haller, Sebastian Meyer e Franz Kolb. Posteriormente, o texto foi revisado e publicado em alemão, latim e francês[6] para que fosse usado na conferência. Segundo Thomas M. Lindsay elas representavam uma “sucinta apresentação da pregação da Igreja Reformada na Suíça”[7] sob a liderança de Zwingli, que durante o período da disputa pregou dois sermões que causaram positiva impressão nos cidadãos.

Os bispos católicos da cidade de Constança, de Basiléia, de Valais e de Lausanne, apesar de convidados, não compareceram. Durante um segundo momento somente esteve presente o bispo Conrad Treger, de Lausanne, que decidiu guardar silêncio, por não aceitar que o debate ocorresse em língua nativa e não em latim. Os partidários romanistas da cidade de Berna não demonstraram interesse pelo debate, visto se virem desamparados pelo clero regional.

Os principais líderes da Reforma alemã e suíça estavam na conferência. Dentre os mais influentes Ambrosius Blaarer de Constança, Oecolampadius de Basiléia, Martin Bucer e Capito de Estrasburgo, Sebastian Wagner Hofmeister de Schaffhausen, William Farel que era pregador em Aigle, e outros menos conhecidos que entre os suíços e estrangeiros, somavam aproximadamente 250 clérigos presentes.

O resultado da disputa teológica entre protestantes e romanistas foi que as autoridades e cidadãos estavam resolutos em adotar a Reforma. De imediato foram tomadas decisões que refletiram o compromisso com o espírito reformado. A missa foi abolida e substituída pelo sermão,[8] imagens foram removidas dos templos e, os monastérios foram esvaziados e usados para a educação de pessoas comuns, e o sustento clérigos romanistas e a verba papal foi declarada ilegal em Berna. Deste modo o resultado foi que o novo movimento protestante obteve completa vitória em Berna.

A importância deste documento é que ele inaugura a expansão do movimento de Reforma na Suíça. Até então no cantão leste, Zurique está só, e Berna era uma das três cidades mais importantes da região. A união era uma necessidade urgente para que pudessem fortalecer o movimento de Reforma e alcançar outras cidades da federação suíça.


As 10 Teses de Berna

São nos entregues as seguintes conclusões de Franciscus Kolb e Berchtoldus Haller, ambos sendo pastores da Igreja de Berna, ao lado de outros professores ortodoxos, e por esta única razão, as recebemos a partir dos escritos bíblicos, tanto dos livros do Antigo como do Novo Testamento, neste dia designado, sendo o próximo domingo após o dia da circuncisão, no ano de 1528.[9]

I. A santa Igreja Cristã,[10] sobre quem somente Cristo é a Cabeça, é nascida da Palavra de Deus, e se conforma na mesma, e não ouve a voz de estranho.
II. A Igreja de Cristo não pode fazer nenhuma lei ou mandamento aparte da Palavra de Deus. Deste modo, as tradições humanas não devem ser-nos exigidas se elas não estiverem fundamentadas na Palavra de Deus.[11]
III. Cristo é a nossa única sabedoria, justiça, redenção e satisfação pelos pecados de todo o mundo. Assim sendo, nega a obra de Cristo, quando se confessa que há outro fundamento de salvação e satisfação.[12]
IV. Que o corpo e sangue de Cristo é recebido, essencial e corporalmente, no pão da Eucaristia é impossível de se provar a partir da Escritura Sagrada.[13]
V. A missa como atualmente é usada, na qual Cristo é oferecido a Deus o Pai, pelos pecados dos vivos e mortos, é contrária à sagrada Escritura, é blasfêmia contra o mais santo sacrifício, paixão e morte de Cristo e, por esta razão, considerado um abuso e uma abominação diante de Deus.
VI. Assim, somente Cristo morreu por nós, assim, ele deve ser adorado como o único Mediador e Advogado entre Deus o Pai e os crentes. Sendo assim, é contrário à Palavra de Deus propor e invocar outros mediadores.
VII. A Escritura nada revela acerca de um purgatório após esta vida. Assim, todas as homenagens aos mortos, como vigílias, missas pelos mortos, ritos fúnebres de sétimo dia, lâmpadas, candelabros, e coisas deste tipo, são inúteis.[14]
VIII. A adoração de imagens é uma prática contrária à Escritura, tanto nos livros do Antigo como no Novo Testamento. Deste modo, como as imagens desonram a si mesmas, e são um perigo, deveriam ser abolidas como objetos de adoração.
IX. O matrimônio não é proibido na Escritura para nenhuma ordem ou homem em qualquer condição, pelo contrário, é ordenado e permitido a todos que se casem como um meio de impedir a fornicação e a impureza.[15]
X. Assim, de acordo com a Escritura, um assumido fornicador precisa ser excomungado, porque ele está vivendo uma vida de solteiro luxuriosa e impura, que é tão pernicioso para qualquer pessoa e, muito mais para o sacerdote.

NOTAS:
[1] Fundada em 1459 a Universidade de Basiléia é o mais antigo centro acadêmico da Suíça em contínuo funcionamento.
[2] Berthold Haller nasceu em Aldingen (1492-1536), estudou em Rothweil e Pfortzheim onde ele estabeleceu uma aproximação com Felipe Melanchthon. Recebeu o seu bacharel em teologia da Universidade de Köln e, retornou para ensinar em Rothweil e em seguida foi lecionar em Berna (1513-1518), sendo eleito assistente de Thomas Wyttenbach. A sua simpatia e eloquência deu-lhe proeminência na cidade, entretanto o seu repetido desânimo diante das dificuldades precisou que Zwingli o encorajasse a perseverar na obra da Reforma. Segundo Thomas M. Lindsay foram Haller e Zwingli quem esboçaram o texto e tiveram o auxílio de Kolb para expor o seu conteúdo.
[3] Sebastian Meyer (1467-1545) foi um professor franciscano de teologia, de Elsas, que pregava em Berna desde 1518, contra os abusos da Igreja Roma. Os notórios ataques dos monges dominicanos em Berna (1507-1509) e, a venda de indulgências (1518) promovida por eles motivou os cidadãos a apreciarem as pregações e a lerem o documento.
[4] No livro Interpretação e fundamento das 67 Conclusões, escrito em 29 de Janeiro de 1523, Hulrich Zwingli afirma que “no início do ano de 1519 (cheguei a Zurique no dia 27 de Dezembro de 1518, o dia de São João Evangelista), nada sabia de Lutero, a não ser que havia publicado um escrito sobre as indulgências, escrito que a mim, nada poderia dizer de novidade. Acerca das indulgências, eu havia aprendido que são um engano e uma falsa esperança. Aprendi numa discussão promovida em Basiléia alguns anos antes, pelo Dr Thomas Wyttenbach, de Biel, ainda que não estive presente nos debates.” M. Gutiérrez Marín, Zuinglio – Antología (Barcelona, Producciones Editoriales del Nordeste, 1973), pág. 59. A concepção de Zwingli sobre a doutrina da Ceia do Senhor também recebeu influência de Wyttenbach que “atacou a venda de indulgências antes de Lutero, a concepção católica romana da Ceia do Senhor, e o celibato obrigatório.” Albert H. Newman, A Manual of Church History (Philadelphia, The American Baptist Publication Society, 1953), vol. 2, pág. 126; veja também em J. Rilliet, Zwingli: Third Man of the Reformation (Londres, Lutterworth Press, 1964), págs. 27-28.
[5] Em 1523 a liderança da cidade de Zurique convocou um debate entre Zwingli e um grupo representante da Igreja Católica Romana. Nesta disputa o reformador suíço apresentou as suas 67 Conclusões, dando início público à Reforma Suíça com o apoio da cidade.
[6] Originalmente o texto foi escrito em alemão suíço sendo traduzido por Zwingli para o latim e por Farel para o francês visando beneficiar os estrangeiros que estariam presentes no debate. Vide* Thomas M. Lindsay, A History of the Reformation (New York, Charles Scribner’s Sons, 1925), vol.2, págs. 41-42.
[7] Thomas M. Lindsay, A History of the Reformation, vol.2, págs. 42.
[8] O debate terminou no dia 26 de Janeiro e a missa foi abolida em 7 de Fevereiro do mesmo ano.
[9] A tradução fiz do texto latino conforme aparece em Philip Schaff, The Creeds of Christendom (Grand Rapids, Baker Books, 6ªed., 2007), vol. 3, pág. 208. O texto latino reza o seguinte: De sequentibus Conclusionibus nos Franciscus Kolb et Berchtoldus Haller, ambo pastores Ecclesiae Bernensis, simul cum aliis orthodoxiae professoribus unicuique rationem reddemus, ex scriptis biblicis, Veteris nimirum et N. Testamenti libris, die designato, mimirum primo post dominicam primam circumcisionis, anno MDXXVIII.” Um tanto diferente James T. Dennison, Jr. do latim traduz a parte introdutória desta forma: “Berthold Haller e Francis Kolb, ministros evangélicos em Berna com outros professores evangélicos, ambos responderão seguindo o método de proposições e deduções, sendo a regra para todos os debatedores que seja a sacra Escritura, que é a Bíblia do Antigo e Novo Testamento, no dia indicado em Berna, ou seja, aquele que é próximo à Festa da Circuncisão do Senhor. Ano 1528”. James T. Dennison, Jr., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English Translation 1523-1552, vol. 1, pág. 41.
[10] James T. Dennison, Jr. traduz: “A santa igreja católica...” in: Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English Translation 1523-1552, vol. 1, pág. 41.
[11] Thomas M. Lindsay traduz: “A Igreja de Cristo não faz lei, nem estatuto aparte da Palavra de Deus, e conseqüentemente, aquelas ordenanças humanas que são chamados mandamentos da Igreja não podem obrigar nossas consciências a menos que estejam fundamentadas na Palavra de Deus e de acordo com ela.” A History of the Reformation, vol.2, págs. 41.
[12] Lindsay traduz: “Cristo é nossa sabedoria, justiça, redenção e pagamento pelos pecados do mundo todo; e todos os que pensam que podem obter salvação de outro modo, ou ter outra satisfação pelos seus pecados, renunciaram a Cristo.” A History of the Reformation, vol.2, págs. 41.
[13] Lindsay traduz: “É impossível provar das Escrituras que o Corpo e Sangue de Cristo estão corporalmente presentes no pão da Santa Ceia.” A History of the Reformation, vol.2, págs. 41.
[14] Lindsay traduz: “Não há evidência de Purgatório após a morte na Bíblia; e nenhum culto pelos mortos, nem vigílias, missas, ou coisa parecida, estas coisas são inúteis.” A History of the Reformation, vol.2, págs. 41.
[15] Lindsay traduz: “O casamento não é proibido em nenhum estado [civil] pela Escritura, mas devassidão e a fornicação são proibidas a qualquer estado em que se encontrar.” A History of the Reformation, vol.2, págs. 41.
[16] Collison revela que quando “Zwinglio se casou, informou seu bispo de que não era a concubina ou ‘ama de casa’ que a maior parte do clero suíço mantinha num quarto dos fundos.” Patrick Collison, A Reforma (Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2006), pág.94.


O texto pode ser encontrado em latim em Rev. B.J. Kidd, ed., Documents illustrative of the Continental Reformation (Eugene, Wipf & Stock Publishers, 1911), págs. 459-460; o texto comparativo do latim com o alemão suíço encontra-se em Philip Schaff, The Creeds of Christendom (Grand Rapids, Baker Books, 6ªed., 2007), vol. 3 págs. 208-210; o texto traduzido do francês para o inglês por James T. Dennison, Jr., org., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English Translation – 1523-1552 (Grand Rapids, Reformation Heritage Books, 2008), vol. 1, págs. 40-42; e também do francês para o inglês uma tradução de Thomas M. Lindsay, A History of the Reformation (New York, Charles Scribner’s Sons, 1925), vol. 2, págs. 42-43.

Tradução com introdução e notas históricas em 27 de Junho de 2011.
Revisado em 10 de Fevereiro de 2014.
Rev. Ewerton B. Tokashiki
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho
Professor de Teologia Sistemática do SPBC-RO.

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