A Alberto de Maguncia. 1 de Dezembro de 1521.[1]
Antes de tudo, meu humilde serviço a vossa graça eleitoral, mui respeitado e gracioso Senhor.
V.G.E. recordará mui bem que lhe escrevi duas vezes em latim: a primeira no começo das enganosas indulgências que se publicaram com o nome de V.G.E.,[2] advertindo-o fielmente que por amor aos cristãos opinei acerca dos libertinos, sedutores e avarentos pregadores, assim como acerca dos livros heréticos e supersticiosos. Ainda que – modéstia a parte – pudesse dirigir toda a tormenta contra V.G.E. – pois tudo estava manipulado sob o seu nome e sua ciência impressos nos livros heréticos -, todavia, por respeito a V.G.E., e a cada dos Brandeburg, e porque pensei que V.G.E. o fazia por ignorância e inexperiência, seduzido por outros inspiradores, me limitei lançar contra estes, bem sabe V.G.E. e quanta pena e com quanto risco. Minha leal advertência, todavia, em lugar de agradecimento se fez merecedora não somente de zombaria, e por parte de V.G.E. também de ingratidão.
Escrevi-lhe pela segunda vez com toda humildade[3] oferecendo-me a deixar-me instruir por V.E.G.. Então, recebi uma resposta dura, desatenta, indigna de um bispo e de um cristão que remetia a minha causa a um poder superior. Posto que ambos escritos para nada serviram, não desistirei, e, seguindo o evangelho, faço uma terceira correção em alemão, pois se algo pode ajudar estas supérfluas e não obrigadas advertências lamentosas.
V.G.E. erigiu novamente em Halle[5] o ídolo que rouba o dinheiro e a alma dos pobres e incautos cristãos. Com isto, se faz público que todas as torpezas que sucederam com Tetzel não foram somente obra sua, senão que se devera à petulância do bispo de Maguncia, que, ignorando a minha advertência, se fez o único responsável por tudo. Talvez, pense V.G.E. que estou fora do combate, que busco minha segurança e que a majestade imperial liquidou o monge. Não me importo com isso, mas saberá V.G.E. que estou decidido fazer o que a caridade cristã exige, sem que me possam atrapalhar as portas do inferno, por não dizer os incultos ignorantes [6], os papas, cardeais e bispos. Não posso suportar, nem calar, que o bispo de Maguncia pretenda dar a entender que não sabe o que não lhe concerne oferecer o ensino conveniente, quando um pobre monge exige, mas que faz bem quando isto envolve dinheiro. Comigo não cabem tais brincadeiras, e há de usar outro tom quando isto se diz ou se ouve.
Portanto, suplico com toda humildade a V.G.E. se digne deixar de enganar e roubar ao pobre povo, e que se mostre como um bispo, e não como um lobo. É demasiadamente público que as indulgências são uma descarada patifaria e uma farsa, que é Cristo quem unicamente deve ser pregado ao povo, e que V.G.E. não pode esconder-se na ignorância como desculpa para o seu pecado.
Recorde de como tudo começou; quão terrível incêndio se desencadeou por causa de uma insignificante e depreciada centelha, quando o mundo inteiro estava tão seguro de que um pobre mendicante não significava nada comparado ao papa e que havia lançado a uma empreita terrível. Apesar de tudo isso, Deus pronunciou o seu veredito: muito deu o que fazer ao papa e a todos os seus partidários, e, contra a opinião do mundo inteiro, as coisas foram tão longe, que lhe resultaria muito difícil ao papa restabelecer a antiga situação; lhe irá de mal a pior, de maneira que, pode-se concluir que esta é uma obra de Deus. Porque ninguém pode por em dúvida que Deus vive ainda e que sabe bem a maneira de resistir a um cardeal de Maguncia ainda que lhe assistam quatro imperadores; também gosta de abater os cedros elevados[7] e de humilhar aos endurecidos faraós. Suplico a V.G.E. que não lhe tente, nem lhe menospreze, porque a sua ciência e o seu poder não conhece limites.
Não se contente V.G.E. em pensar que Lutero esteja morto; apoiado em Deus, humilhando ao papa, golpeará tão livre e satisfatoriamente, se envolverá com o cardeal de Maguncia num duelo, cujo alcance não poderá nem sequer suspeitar. Unam-se entre vocês, queridos bispos, podem continuar sendo senhores feudais, que a este espírito não podem calar, nem ensurdecer. Quero que estejam de sobreaviso do ultraje que dessa atitude os sobrevirá e que agora não podem sequer imaginar.
Portanto, V.G.E. esteja avisado pela última vez e por escrito: se esse ídolo não for derrubado, terei um motivo necessário, urgente e inevitável pela doutrina divina e a salvação dos cristãos, para atentar publicamente contra V.G.E. bem como contra o papa, para protestar animoso contra o tal abuso, para fazer que recaiam sobre o bispo de Maguncia todas as abominações anteriores de Tetzel, e de mostrar o mundo inteiro a diferença que há entre um bispo e um lobo. Pode a V.G.E. aonde deve ir e o que há de fazer.
Por que me rotula de maledicente? Pois outro deseja que maldiga a quem me depreciou, como disse Isaías[8]. Já avisei suficientemente a V.G.E., chegou o tempo, segundo ensina Paulo,[9] de desonrar diante todo o mundo aos malfeitos públicos, de ridicularizá-los e castiga-los para que tal escândalo se desterre do reino de Deus.
Além do mais, rogo a V.G.E. se digne deixar tranquilos aos sacerdotes que, por fugir da lascívia, contraíram matrimônio, ou desejam contrair. Não lhe roube o que Deus lhes deu, posto que V.G.E. não pode apresentar razão, fundamento, nem direito algum, e além do mais, porque este petulante desaforo não rima com um bispo.
De que lhe serve, os bispos, recorrer tão insolentemente à violência, carregar com amargura os corações, e não querer justificar as suas ações? O que se passa em seus pensamentos? Por que se tornaram em soberbos gigantes, em Ninrodes da Babilônia? E por que ignoram os pobres, que o crime, a tirania, ainda que encobertos, mas que fazem perder a oração comum, poderia subsistir ainda longo tempo? Por que correm tão presunçosos como os insensatos, para que a desgraça que os faça chegar tão rápido?
Fixe-se bem V.G.E.: se isto não for lançado por terra, do evangelho emergirá um grito que diga o bem que fariam os bispos tirando a viga de seus olhos[10] e que melhor que andar separando as piedosas esposas de seus maridos seria melhor afastá-las de seus amantes.
Rogo, V.G.E., que por ti mesmo me dê o prazer e a oportunidade de calar. Não encontro prazer nenhum em publicar a sua vergonha e desonra. Mas, enquanto não se deixar de envergonhar diante de Deus e de desonrar a sua verdade, eu e todos os cristãos estamos obrigados de manter a glória de Deus, ainda que o mundo inteiro – não falo de um pobre homem como um cardeal – resulte por isso desonrado. Não calarei e ainda que fracasse, tenho a esperança de que os bispos, não acabarão de cantar alegremente o seu soneto. Não, não conseguiram exterminar a todos os que Cristo suscitou contra a sua sacrílega tirania.
Portanto, suplico e espero que V.G.E. dê uma pronta e satisfatória resposta no término de duas semanas. E se não chegar essa resposta pública, aos quatorze dias justos soltarei o meu folheto Contra o ídolo de Halle. Não me deterei ainda que esta carta seja interceptada por seus conselheiros: os conselheiros estejam para tais leais, e um bispo tem a obrigação de ordenar a sua corte de forma que lhe chegue quanto tenha que vir-lhe.
Que Deus conceda a V.G.E. a graça de um sentir e querer justos.
Em meu deserto, Domingo após santa Catarina, 1521.
De V.G.E. servo e súdito, Martin Luther.[11]
NOTAS:
[1] WA Br 2, 406-408.
[2] Em 31 de Outubro de 1517, uma data decisiva para a ruptura de Lutero por causa do conflito das indulgências.
[3] Em 4 de Fevereiro de 1520 (WA Br 2, 27ss).
[4] Mt 18:15-17.
[5] Cf. carta 11, nota 2.
[6] Refere-se aos escolásticos, aos professores de Lovaina, Paris, Leipzig, etc., um dos temores de Lutero.
[7] Is 2:13.
[8] Is 33:1.
[9] 1 Co 5:11-13.
[10] Mt 7:5.
[11] A resposta do arcebispo, complacente, datada em 21 Dezembro de 1521, cf. WA Br 2, 420.
Extraído de Teófanes Egido, org., Lutero – Obras (Salamanca, Ediciones Síguime, 4ª ed., 2006), pp. 392-394.
Traduzido em 12 de Março de 2015.
Rev. Ewerton B. Tokashiki
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho
Professor de Teologia Sistemática do SPBC-RO.
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quinta-feira, 12 de março de 2015
terça-feira, 8 de abril de 2014
Carta de Martinho Lutero à Johannes Staupitz [1519]
A Staupitz. 20 de Fevereiro de 1519[1]
Ao reverendo e excelentíssimo padre Johan Staupitz, vigário dos Ermitões de Santo Agostinho, e no culto de Cristo, o seu patrono e superior.
Jesus. Saudações. Reverendo padre: Ainda que esteja tão longe de mim e tão calado que não me escreva as esperadíssimas cartas, me atreverei a quebrar o silêncio.[2] Desejo – bem como desejam todos – que te deixes ver alguma vez nesta situação afligida pelas pragas do céu. Espero haver chegado até você as minhas Atas[3], ou seja, a cólera e a indignação de Roma. Deus não somente me conduz, me arrebata, como também me empurra; não estou em minha sensatez: quero estar tranquilo e todavia, me vejo pressionado no fragor dos tumultos.
Carlos Miltitz entrevistou-me em Altenburg[4]. Estava queixoso de que eu tinha ganho a todos para a minha causa e os afastado do papa. Da exploração que fiz em todas as hospedagens deduzi que apenas dois a cada cinco estavam a favor de Roma. Depois, na corte do príncipe, informei-me que vinha armado com setenta breves apostólicos a fim de conduzir-me preso para a Jerusalém homicida, a essa Babilônica de púrpura.[5] Quando desesperou-se neste projeto começou a tratar de que eu restituísse à igreja romana o que lhe havia roubado, e se empenhou em convencer-me que eu me retratasse. Ao rogar-lhe que me indicasse no que tinha que retratar-me, por fim, nos convencemos em remeter a causa a alguns bispos. Propus-lhe o arcebispo de Salzburg, bem como ao de Tréveres e ao de Freising. Pela tarde fui convidado, estivemos alegres na comida e nos separamos depois de haver me dado um ósculo. Comportei-me como se não estivesse consciente dessas italianidades e simulações. Também convocou a Tetzel e lhe repreendeu. Em Leipzig, por fim, o convenceu de que gozasse de uma estupenda mensalidade de noventa florins e mais três empregados e uma carruagem livre de todo custo. Então, Tetzel desapareceu; ninguém – talvez, a exceção de seus progenitores – sabe para onde ele se foi.[6]
Eck, meu homem astuto, quer arrastar-me para novas disputas, como pode ver no que te adjunto. Desta maneira, Deus cuida em manter-me andando ocupado. Mas, se é a vontade de Cristo, desta disputa nada de bom poderá saldar para os direitos e usos de Roma, que são o cetro em que Eck se apoia.[7]
Eu gostaria que visse os meus livretos impressos em Basiléia[8] e que confrontasse o que os eruditos opinam sobre mim, sobre Eck, sobre Silvestre e sobre os teólogos escolásticos. Equivocando-se deliberadamente, com muitíssimo gracejo, chamam Silvestre (além de outras coisas cheias de humor) de magiro de palácio, em lugar de mestre de palácio (magiro em grego significa cozinheiro)[9]. Isto cairá mal aos heróis romanos. Rogo a ti: reze por mim. Confio com firmeza que o Senhor forçará ao teu coração para cuidar de mim. Sou um homem que está em perigo e empurrado à sociedade, ao deboche, ao desprezo, a negligência e outras moléstias, além das que me oprimem por ofício.
Por fim, se aproximam os de Leipzig para a disputa com Eck. Acusam-me de ser imprudente por escrever que rejeitava e reclamam que cante a palinódia num escrito pessoal. Mas fui assegurado pelo duque George[10] de que eles haviam recusado antecipadamente e eu disse a eles em duas ocasiões que o seu decano havia recusado anteriormente a minha petição, como na realidade o fez. Desta maneira tão baixa quer esta gente impedir tal disputa; mas, o duque George continua urgindo-a.
Adeus, boníssimo padre. 20 de Fevereiro de 1519. Fr. Martinus Lutherus, agostiniano.
NOTAS:
[1] WA 1, pp. 344-345. Nota de Teófanes Egido.
[2] Johannes Staupitz para não se comprometer, associando-se de algum modo, com Lutero, evita inclusive responder as várias cartas enviadas por Lutero, em que o reformador alemão solicita conselhos, posicionamento e coerência com o evangelho que primeiramente ele viu em seu tutor. Veja nas outras cartas traduzidas os insistentes pedidos de resposta de Lutero. Nota do tradutor.
[3] Lutero se refere às Atas Augustana (WA 2, 1ss), onde narra a célebre entrevista com Cajetano (cf. Conversas à Mesa, n. 9-10 desta edição). Nota de Teófanes Egido.
[4] Sobre os contatos do legado de Miltitz e Lutero neste tempo e a desafortunada intervenção do primeiro, cf. a nossa introdução ao Tratado sobre a liberdade cristã, escrito 5 desta edição. Sobre a entrevista aludida por Lutero, cf. H. Boehmer, Der junge Luther, ed. de H. BornKamm, Leipzig 1952, pp. 207ss. Nota de Teófanes Egido.
[5] É interessante notar que Lutero usa uma linguagem apocalíptica condenatória contra a Igreja Romana, bem como contra ao papa. Nota do tradutor.
[6] Johannes Tetzel (1465-1519) pregador da indulgência que desencadeou o primeiro protesto público de Lutero em 1517 (veja as 95 Teses). Sobre a alusão da carta e o histórico do dominicano, cf. N. Paulus, Johann Tetzel der Ablassprâdiger, Mainz 1899, pp. 71ss. Nota de Teófanes Egido.
[7] Refere às teses impressas por Eck (WA 2, p. 154) com vistas à disputa que em Leipzig lhe enfretaria com Karlstadt e Lutero. Eck foi sem dúvidas o mais formidável e um dos melhores e mais preparados debatedores contra Lutero. Nota de Teófanes Egido.
[8] Os seus primeiros escritos latinos surgem editados em Outubro de 1518, na impressa de Froben (Basiléia), numa edição feita sema autorização de Lutero. Nota de Teófanes Egido.
[9] Silvestre Prierias (1456-1523), um dos primeiros rivais de Lutero, sem a grandeza de Eck. O livro Diálogo equivocadamente da capa do livro, cf. WA 1, p. 645. Nota de Teófanes Egido.
[10] O duque George Spalatino da Saxônia. Nota do tradutor.
Extraído de Teófanes Egido, org., Lutero – Obras (Salamanca, Ediciones Síguime, 4ª ed., 2006), p. 377-378.
Tradução em 8 de Abril de 2014.
Rev. Ewerton B. Tokashiki
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho
Professor de Teologia Sistemática do SPBC-RO.
Ao reverendo e excelentíssimo padre Johan Staupitz, vigário dos Ermitões de Santo Agostinho, e no culto de Cristo, o seu patrono e superior.
Jesus. Saudações. Reverendo padre: Ainda que esteja tão longe de mim e tão calado que não me escreva as esperadíssimas cartas, me atreverei a quebrar o silêncio.[2] Desejo – bem como desejam todos – que te deixes ver alguma vez nesta situação afligida pelas pragas do céu. Espero haver chegado até você as minhas Atas[3], ou seja, a cólera e a indignação de Roma. Deus não somente me conduz, me arrebata, como também me empurra; não estou em minha sensatez: quero estar tranquilo e todavia, me vejo pressionado no fragor dos tumultos.
Carlos Miltitz entrevistou-me em Altenburg[4]. Estava queixoso de que eu tinha ganho a todos para a minha causa e os afastado do papa. Da exploração que fiz em todas as hospedagens deduzi que apenas dois a cada cinco estavam a favor de Roma. Depois, na corte do príncipe, informei-me que vinha armado com setenta breves apostólicos a fim de conduzir-me preso para a Jerusalém homicida, a essa Babilônica de púrpura.[5] Quando desesperou-se neste projeto começou a tratar de que eu restituísse à igreja romana o que lhe havia roubado, e se empenhou em convencer-me que eu me retratasse. Ao rogar-lhe que me indicasse no que tinha que retratar-me, por fim, nos convencemos em remeter a causa a alguns bispos. Propus-lhe o arcebispo de Salzburg, bem como ao de Tréveres e ao de Freising. Pela tarde fui convidado, estivemos alegres na comida e nos separamos depois de haver me dado um ósculo. Comportei-me como se não estivesse consciente dessas italianidades e simulações. Também convocou a Tetzel e lhe repreendeu. Em Leipzig, por fim, o convenceu de que gozasse de uma estupenda mensalidade de noventa florins e mais três empregados e uma carruagem livre de todo custo. Então, Tetzel desapareceu; ninguém – talvez, a exceção de seus progenitores – sabe para onde ele se foi.[6]
Eck, meu homem astuto, quer arrastar-me para novas disputas, como pode ver no que te adjunto. Desta maneira, Deus cuida em manter-me andando ocupado. Mas, se é a vontade de Cristo, desta disputa nada de bom poderá saldar para os direitos e usos de Roma, que são o cetro em que Eck se apoia.[7]
Eu gostaria que visse os meus livretos impressos em Basiléia[8] e que confrontasse o que os eruditos opinam sobre mim, sobre Eck, sobre Silvestre e sobre os teólogos escolásticos. Equivocando-se deliberadamente, com muitíssimo gracejo, chamam Silvestre (além de outras coisas cheias de humor) de magiro de palácio, em lugar de mestre de palácio (magiro em grego significa cozinheiro)[9]. Isto cairá mal aos heróis romanos. Rogo a ti: reze por mim. Confio com firmeza que o Senhor forçará ao teu coração para cuidar de mim. Sou um homem que está em perigo e empurrado à sociedade, ao deboche, ao desprezo, a negligência e outras moléstias, além das que me oprimem por ofício.
Por fim, se aproximam os de Leipzig para a disputa com Eck. Acusam-me de ser imprudente por escrever que rejeitava e reclamam que cante a palinódia num escrito pessoal. Mas fui assegurado pelo duque George[10] de que eles haviam recusado antecipadamente e eu disse a eles em duas ocasiões que o seu decano havia recusado anteriormente a minha petição, como na realidade o fez. Desta maneira tão baixa quer esta gente impedir tal disputa; mas, o duque George continua urgindo-a.
Adeus, boníssimo padre. 20 de Fevereiro de 1519. Fr. Martinus Lutherus, agostiniano.
NOTAS:
[1] WA 1, pp. 344-345. Nota de Teófanes Egido.
[2] Johannes Staupitz para não se comprometer, associando-se de algum modo, com Lutero, evita inclusive responder as várias cartas enviadas por Lutero, em que o reformador alemão solicita conselhos, posicionamento e coerência com o evangelho que primeiramente ele viu em seu tutor. Veja nas outras cartas traduzidas os insistentes pedidos de resposta de Lutero. Nota do tradutor.
[3] Lutero se refere às Atas Augustana (WA 2, 1ss), onde narra a célebre entrevista com Cajetano (cf. Conversas à Mesa, n. 9-10 desta edição). Nota de Teófanes Egido.
[4] Sobre os contatos do legado de Miltitz e Lutero neste tempo e a desafortunada intervenção do primeiro, cf. a nossa introdução ao Tratado sobre a liberdade cristã, escrito 5 desta edição. Sobre a entrevista aludida por Lutero, cf. H. Boehmer, Der junge Luther, ed. de H. BornKamm, Leipzig 1952, pp. 207ss. Nota de Teófanes Egido.
[5] É interessante notar que Lutero usa uma linguagem apocalíptica condenatória contra a Igreja Romana, bem como contra ao papa. Nota do tradutor.
[6] Johannes Tetzel (1465-1519) pregador da indulgência que desencadeou o primeiro protesto público de Lutero em 1517 (veja as 95 Teses). Sobre a alusão da carta e o histórico do dominicano, cf. N. Paulus, Johann Tetzel der Ablassprâdiger, Mainz 1899, pp. 71ss. Nota de Teófanes Egido.
[7] Refere às teses impressas por Eck (WA 2, p. 154) com vistas à disputa que em Leipzig lhe enfretaria com Karlstadt e Lutero. Eck foi sem dúvidas o mais formidável e um dos melhores e mais preparados debatedores contra Lutero. Nota de Teófanes Egido.
[8] Os seus primeiros escritos latinos surgem editados em Outubro de 1518, na impressa de Froben (Basiléia), numa edição feita sema autorização de Lutero. Nota de Teófanes Egido.
[9] Silvestre Prierias (1456-1523), um dos primeiros rivais de Lutero, sem a grandeza de Eck. O livro Diálogo equivocadamente da capa do livro, cf. WA 1, p. 645. Nota de Teófanes Egido.
[10] O duque George Spalatino da Saxônia. Nota do tradutor.
Extraído de Teófanes Egido, org., Lutero – Obras (Salamanca, Ediciones Síguime, 4ª ed., 2006), p. 377-378.
Tradução em 8 de Abril de 2014.
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