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terça-feira, 28 de março de 2017

Carta de Lutero a Jerônimo Baumgartner [1524]

Ao jovem Jerônimo Baumgartner, de Nürnberg, piedosíssimo e erudíssimo, mui querido em Cristo.[1]

Graça e paz no Senhor.

Também me vejo carecendo de acudí-lo, meu Jerônimo, no socorro da multidão dos pobres. Este jovem chamado Gregório Keser solicita a manutenção num lugar qualquer, e me pediu que lhe recomende alguma pessoa de Nürnberg. Poucas esperanças lhe dei, pois sei que todos estão ocupados; não obstante, lhe enviei em nome de Deus “que alimenta até aos corvos”.[2]

Além do mais, se quiser ficar com tua Kathe Bora, se antecipe antes de que seja entregue a outro que anda interessado nela.[3] Ela continua preferindo a você. Da minha parte, gostaria que casassem.
Adeus.

Wittenberg, 12 de Outubro de 1524.


NOTAS:
[1] WA Br 3, pp. 357-358. Sobre este primeiro pretendente de Catarina von Bora, e na certeza da indicação, conferir E. Kroker, Katharina von Bora, Martin Luther Frau (Berlin, 1959), p. 56ss
[2] Lc 12:24.
[3] Este terceiro na concorrência por Catarina, ao parecer muito cobiçada, foi Gaspar Glatius, pregador de Orlamünde (Conferir. H. Boehmer, em Luther Jahrbuch 7 [1925], p. 58ss).

Extraído de Teófanes Egido, org., Lutero – Obras (Salamanca, Ediciones Síguime, 4ª ed., 2006), pp. 398-399.

Tradução em 26 de Março de 2017.
Rev. Ewerton B. Tokashiki

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Carta de Lutero à Ecolampádio [20 Junho de 1523]

Ao sábio e piedoso Ecolampádio,[1] discípulo e fiel servo de Cristo, seu irmão no Senhor.

Graça e paz em Cristo. Em primeiro lugar quero pedir a você, ótimo Ecolampádio, que não ressinta com ingratidão ou negligência por minha parte o fato de não ter-lhe escrito até agora. Muito menos recebi sua carta desde a sua saída da Santa Brígida. Por outro lado (e pressuponho que Cristo fortaleceu o seu coração com a virtude de um espírito tão firme, como para livrá-lo do jugo de Satanás, após vencer estas superstições da consciência) julguei-o suficientemente maduro para esperar suas cartas, ou crer que as minhas o reafirmariam. Sinceramente, temos aprovado de todo o coração o seu espírito e sua virtuosa façanha. Felipe, que goza de forma especial recordando-se, não cessa de acrescer a cada dia a estima que por você professo.

Que o Senhor confirme o seu projeto de expor a Isaías, ainda que tenha me comunicado que tal coisa desagrade a Erasmo. Não se afete com esta indiferença. O que Erasmo pensa – ou simule pensar – nas coisas espirituais o testificam abundantemente os seus livros, desde os primeiros até os mais recentes. Da minha parte, ainda que acuse perfeitamente os seus dardos, como ele dissimula publicamente ser meu inimigo, também deixo entender que não me estou informado de suas astúcias, ainda que as perceba muito melhor do que se imagina. Na realidade está cumprindo aquilo para que estava destinado: introduzir o estudo das línguas [originais] e afastar os estudos sacrílegos. Possivelmente, do mesmo modo que Moisés, morra nos acampamentos de Moabe[2], porque não vigora aos estudos mais altos, ou seja, os que se referem à piedade. Gostaria muitíssimo que parasse de tratar e parafrasear a Escritura Sagrada, já que não se considera a altura que esta atividade exige, ocupa inutilmente os leitores e os atrasa na aprendizagem das Escrituras. Fez o bastante ao evidenciar o mal; enquanto que o bom e conduzir até a terra prometida, parece-me que não está a seu alcance. Mas, por quê falo tanto de Erasmo? Simplesmente para que não se deixe afetar por sua fama e autoridade, e para que você se alegre se percebe que há alguma coisa que não lhe agrade nesta matéria da Sagrada Escritura, pois, como todos começam a suspeitar, neste domínio não pode, ou não quer julgar com retidão.

Ainda tenho visto a sua tradução de Crisóstomo[2] Por causa de nossa amizade suplico que suportes este palavreado. Sei que você não anda necessitado de tais consolos. Nem abandonará a Cristo que habita e que opera por meio de você. Roga por mim, estou ocupado em tantos negócios exteriores, que corro o risco de terminar em carne, eu que comecei no espírito.[3]

Muitas horas me roubam as monjas e frades que saem dos conventos, sendo que tenho que atender às necessidades de todos eles.[5] Não direi nada dos demais que me exigem que cumpra com eles de tantas maneiras.

Adeus, ótimo Ecolampádio, e que a graça de Cristo o acompanhe. Saúde a todos os nossos.

Wittenberg, 20 de Junho de 1523.


NOTAS:
[1] WA Br 3, 96-97. Johanes Ecolampádio (1482-1531), sobrenome humanista de Hausscheim, pregador da catedral de Augsburg até que em 1520 aderiu ao convento de Santa Brígida. Veio a abandoná-lo dois anos mais tarde (a isto ele alude numa carta) para establecer-se em Basiléia como professor de teologia, assumindo por sua vez o papel de protagonista da Reforma nesta cidade. A sua atitude e estudos humanistas aproximaram-no de Erasmo e se percebe o temor de Lutero a que o princípe dos humanistas tivesse demasiada influência sobre ele. Proximo a Zwingli, ao seu lado intervirá no coloquio de Marburg. Cf. A. Staehlin, Das theologische Lebenswerk J. Oekolampads, Leipzing 1939.
[2] Dt 34:1-15.
[3] Divi Johannis Chrysostomi psegmata, nuperrime a Joanne Oecolampadio in latinum promo versa, Basileae 1523.
[4] Gl 3:3.
[5] Lutero se refere ao éxodo masivo de monjas que abandonaram o monasterio. Entre elas estava Catarina von Bora, futura esposa de Lutero. Veja detalhes na carta a Spalatino, 1 de Abril de 1521: WA Br 3, 54-55.


Extraído de Teófanes Egido, org., Lutero – Obras (Salamanca, Ediciones Síguime, 4ª ed., 2006), pp. 394-395.

Traduzido em 3 de Dezembro de 2015.
Rev. Ewerton B. Tokashiki
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho
Professor de Teologia Sistemática do SPBC-RO.

terça-feira, 18 de março de 2014

Carta de Martinho Lutero a George Spalatino [1525]

A Spalatino. Em 16 de Junho de 1525.

A George Spalatino, servo de Deus, seu irmão em Cristo.


Graça e paz. Meu querido Spalatino, com Catarina von Bora tapei a boca aos que me difamam. Se lhe for conveniente preparar um banquete em testemunho deste meu matrimônio, será proveitoso que não somente esteja presente, mas também cooperes, se houver necessidade de carne. Entretanto, dá-nos tua benção e interceda por nós.

Com esta boda tenho-me feito tão desprezível e depreciado, que tenho esperança de que os anjos do céu riam e chorem todos os demônios. Os sábios não conhecem o mundo, nem o bom e sábio amor de Deus e somente em mim veem como um ímpio e diabólico. O melhor de tudo é que com este matrimônio se condena a incomodada opinião de todos quantos se empenham em continuar ignorando a Deus.

Adeus e rogue por mim.

Wittenberg, sexta-feira após o dia da Trindade, 1525.


Extraído de Teófanes Egido, org., Lutero – Obras (Salamanca, Ediciones Síguime, 4ª ed., 2006), p. 401.

Tradução com introdução e notas em 17 de Março de 2014.
Rev. Ewerton B. Tokashiki
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho
Professor de Teologia Sistemática do SPBC-RO.



Prefácio de João Calvino à Loci Communes de Filipe Melanchthon

  Introdução Em 1546, uma tradução francesa da obra de Filipe Melanchthon de 1545, Loci communes , foi publicada em Genebra sob o título de ...