Mostrando postagens com marcador História da Teologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História da Teologia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Theodore Beza recomenda Jacob Arminius

Theodore Beza, o principal teólogo de Genebra, escreveu outra carta de recomendação a favor de Armínio para o Conselho de Amsterdã. Beza escreveu ao Rev. Martin Lydius, ministro da igreja de Amsterdã, as seguintes palavras de recomendação acerca de Armínio:

“Para descrever em poucas palavras, tenho o prazer de notar que, desde o período em que Armínio retornou para nós, da Basileia para Genebra, tanto suas conquistas no aprendizado quanto seu modo de vida foram tão aprovados por nós, que criamos as maiores esperanças a seu respeito, se ele seguir o mesmo caminho que está agora e no qual, pensamos, pelo favor de Deus, ele continuará. Pois o Senhor lhe conferiu, entre outros talentos, uma feliz habilidade de perceber claramente a natureza das coisas e de formar um julgamento correto sobre elas, que, se daqui por diante for submetido ao governo da piedade, do qual ele se mostra mais indubitavelmente estudioso, fará com que sua poderosa genialidade, depois de amadurecida pelos anos e confirmada por seu conhecimento das coisas, produza uma rica e mais abundante colheita. Esses são nossos sentimentos em relação a Armínio, um jovem, na medida em que pudemos fazer um julgamento sobre ele, em nenhum aspecto indigno de sua benevolência e liberalidade.”

W. Robert Godfrey, Saving the Reformation: The Pastoral Theology of the Canons of Dort, Reformation Trust Publishing p. 198.
Traduzido por Alan Kleber Rocha

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Os Artigos de Lausanne por João Calvino

Questões a serem discutidas em Lausanne
na nova província de Berna

em 1 de Outubro de 1537

I
A Sagrada Escritura ensina apenas uma maneira de justificação, que é pela fé em Jesus Cristo, de uma vez por todas oferecida, e não é senão um destruidor de toda a virtude de Cristo, quem faz outra satisfação, oferta ou purificação para a remissão de pecados.

II
Esta Escritura reconhece a Jesus Cristo, que ressuscitou dos mortos e está no céu à direita do Pai, como o único chefe e verdadeiro sacerdote, mediador soberano e verdadeiro defensor da sua Igreja.

III
A Sagrada Escritura chama de Igreja de Deus todos os que creem que são recebidos somente pelo sangue de Jesus Cristo e que, creem com constância e sem vacilar, firmam e apoiam-se na Palavra, que, retirando-se de entre nós em presença corpórea, todavia, a virtude de seu Espírito Santo enche, sustenta, governa e vivifica todas as coisas.

IV
A referida Igreja contém certas coisas que são conhecidas apenas para os olhos de Deus. Possui sempre cerimônias ordenadas por Cristo, através das quais é visto e conhecido, isto é, o Batismo e a Ceia de nosso Senhor, que são chamados sacramentos, pois são símbolos e sinais de coisas secretas, isto é, da graça divina. A referida Igreja não reconhece nenhum ministério, exceto o que prega a Palavra de Deus e administra os sacramentos.

VI
Além disso, esta mesma Igreja não recebe nenhuma outra confissão além daquela que é feita a Deus, nenhuma outra absolvição do que aquela que é dada por Deus para a remissão dos pecados e que, por si só, perdoa e remete seus pecados que, para esse fim, confessam a sua culpa.

VII
Além disso, esta mesma Igreja nega todas as outras formas e meios de servir a Deus, além do que é espiritualmente ordenado pela Palavra de Deus, que consiste no amor de si mesmo e do próximo. Por isso, rejeita inteiramente os inúmeros esforços fúteis de todas as cerimônias que pervertem a religião, como imagens e coisas semelhantes.

VIII
Também reconhece o magistrado civil ordenado por Deus apenas como necessário para preservar a paz e a tranquilidade do Estado. Para que fim, deseja e ordena que todos sejam obedientes a medida em que nada é ordenado contrário a Deus.

IX
Em seguida, afirma que o casamento é instituído por Deus para todas as pessoas como adequado e conveniente a elas, e não infringe a santidade de ninguém.

X
Finalmente, quanto às coisas que são indiferentes, como alimentos, bebidas e a observação dos dias, permite que tudo o que o homem crê que possa usar em todos os momentos de forma livre, a não ser o que a sabedoria e a caridade impeçam.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Acerca da ordem do culto público [1523]

Por Martinho Lutero

O serviço de adoração que agora está em uso comum em todos os lugares remonta ao começo genuíno cristão, e do mesmo modo, o ofício da pregação. Mas assim como este foi pervertido pelos tiranos espirituais, assim o culto foi corrompido pelos hipócritas. Do mesmo modo que não abolimos por essa causa o ofício da pregação, senão que buscamos restaurá-lo outra vez ao seu lugar correto e próprio, muito menos é nossa intenção eliminar o culto, mas sim restaurá-lo novamente ao seu uso devido.

Três sérios abusos foram introduzidos no culto. Primeiro, silenciou-se a Palavra de Deus, e permaneceram somente a leitura e o cântico nas igrejas, o qual é o pior abuso. Segundo, quando se silencio a Palavra de Deus introduziram uma multidão de fábulas e mentiras não cristãs, com lendas, hinos e sermões que é algo horrível de suportar. Terceiro, tal culto divino se converteu numa obra pela qual se poderia ganhar a graça de Deus e a salvação. Como resultado, desapareceu a fé e todos se esforçavam por entrar no sacerdócio, encheram os conventos e os monastérios, e construíram igrejas.

Agora para corrigir estes abusos, primeiro deve-se saber que uma congregação cristã nunca deve se reunir sem a pregação da Palavra de Deus e a oração, ainda que seja breve, como diz o Salmo 102.21-22: "Para que publique em Sião o nome de Jehová, e seu louvor em Jerusalém, quando os povos e os reinos se congregarem para servir a Jehová". E Paulo em 1 Coríntios 14 diz que quando se reunirem deverá haver profecia, ensino e admoestação. Assim, quando não há pregação da Palavra de Deus, melhor que nem se cante, nem leiam, nem sequer se reúnam.

Este foi o costume entre os cristãos do tempo dos apóstolos e também se deve praticar agora. Devemos nos reunir diariamente às quatro ou cinco da manhã e os alunos, ou sacerdotes, ou quem quiser, para ler a Palavra de Deus, da maneira em que, todavia, se lê a lição matinal; isto o devem fazer um ou dois, ou de modo responsivo entre dois indivíduos ou coros, como melhor lhes parecer.

Logo o pregador, ou quem quer que seja que se tenha nomeado, se adiantará e interpretará uma parte da lição, para que todos entendam e a aprendam e sejam admoestados. Ao primeiro Paulo chama "falar em línguas", ao outro o chama "interpretar" ou "profetizar", ou "falar com o sentido ou entendimento". Se não fizerem assim, a congregação não receberá o benefício da lição, como ocorre nos monastérios e nos conventos, onde somente gritavam às paredes.

A lição deve ser extraída do Antigo Testamento. Deve-se selecionar um dos livros e ler um ou dois capítulos, ou a metade de um capítulo até terminar o livro. Depois selecionar outro livro, e prosseguir assim até que se faça a leitura de toda a Bíblia. E quando não se entender o texto, seguir adiante, e dar glória a Deus. Assim com o treinamento diário o povo cristão chegará a estar adestrado e bem versado na Bíblia. Porque deste modo se formaram cristãos genuínos como nos tempos anteriores - tanto virgens como mártires poderão se formar hoje.

Após a duração de meia hora ou algo assim, a lição e sua interpretação, a congregação se unirá em dar graças a Deus, louvá-lo, e orar pelos frutos da Palavra, etc. Para isto debem usar os Salmos e alguns bons responsórios e antífonas. Em resumo, que tudo termine em uma hora, ou o tempo que for conveniente; porque não se deve sobrecarregar as almas, nem cansá-las, como sobrecarregam como mulas nos monastérios e conventos atualmente.

Desse modo, reúnam-se às cinco ou seis da tarde. A esta hora realmente se deve ler outra vez o Antigo Testamento, livro por livro, ou seja, os profetas, assim como Moisés e os livros históricos se consideram na manhã. Mas sendo que também o Novo Testamento é um livro, permito a leitura do Antigo Testamento na manhã e do Novo Testamento à tarde, ou vice e versa, e a leitura, interpretação, louvor, cânticos e oração pela manhã, também por uma hora. Porque a única coisa importante é que se permita trabalhar a Palavra de Deus para elevar e vivificar as almas para que não se cansem. Se desejarem celebrar outro culto similar durante o dia, após o almoço, é um assunto de livre escolha. E ainda que toda a congregação não participe destes cultos diários, os sacerdotes e alunos, e especialmente aqueles de quem se espera, que serão bons pregadores e pastores, devem estar presentes. E deve-se admoestá-los a fazer isto voluntariamente, não por constrangimento ou forçados, ou para obter um prêmio temporal ou eterno, mas somente para a glória de Deus e o bem-estar do próximo.

Além destes cultos diários para um grupo mais reduzido, toda a congregação deve se reunir aos Domingos, e deve cantar a missa e vésperas como é de costume. Em ambos os cultos se pregará para toda a congregação, na parte da manhã sobre o evangelho do dia, e à tarde sobre a epístola; ou o pregador pode usar seu discernimento para determinar se quer pregar sobre certo livro, ou dois. Se alguém deseja receber o sacramento neste tempo, que seja administrado num horário que seja conveniente a todos os interessados.

Devem descontinuar completamente as missas diárias. Porque a Palavra é mais importante e não a missa. Mas se alguém desejar o sacramento durante a semana, que se celebre a misa quando houver a inclinação e a oportunidade. Porque neste assunto não se pode estabelecer regras definitivas.

Que se retenham os cantos nas missas dominicais e vésperas, mesmo que sejam bastante boas e tomadas da Escritura. Todavia, pode-se aumentar ou diminuir o seu número. Mas selecionar os cânticos para os cultos diários da manhã e à tarde será o dever do pastor e pregador. Porque cada manhã determinará um responsório, ou antífona, digno com uma coleta, e o mesmo para a tarde, e com isto se lerá e cantará publicamente após a lição e exposição. Mas momentaneamente podemos eliminar as antífonas, responsórios, e as coletas, do mesmo modo que as lendas dos santos e da cruz, até que sejam purificados, porque há uma terrível quantidade de imundícia neles.

As festas dos santos devem ser descontinuadas, ou onde houver uma boa lenda cristã, se poderá insertar como um exemplo após a leitura do evangelho do Domingo. Podem continuar as festas da purificação e a anunciação de Maria, e pelo momento também sua assunção e natividade, ainda que os cânticos que são usados nelas não sejam puros. A festa de João Batista também é pura. Nenhuma das lendas dos apóstolos é pura, exceto a de são Paulo. Podem ser transferidas para o Domingo mais próximo, ou celebrar separadamente, se assim desejarem.

Outros assuntos se ajustarão segundo surja a necessidade. Para resumir tudo: que tudo se faça para que a Palavra tenha liberdade de atuar, em vez de palavrear como é a regra até agora. Podemos deixar tudo, menos a Palavra. Por outro lado, nada é tão proveitoso como a Palavra. Porque toda a Escritura mostra que a Palavra deve ter liberdade para atuar entre os cristãos. E em Lucas 10, o próprio Cristo disse: "uma coisa é necessária", ou seja, que Maria se sentasse aos pés de Cristo e ouvisse diariamente a sua palavra. Esta é a melhor parte para escolher e nunca lhe será tirada. É uma palavra eterna. Tudo o mais passará, não importa quanto cuidado e esforço Marta dê. Deus nos ajude a alcançar isso. Amém.

Prefácio de João Calvino à Loci Communes de Filipe Melanchthon

  Introdução Em 1546, uma tradução francesa da obra de Filipe Melanchthon de 1545, Loci communes , foi publicada em Genebra sob o título de ...