por John Knox
Aqui está brevemente declarado, em resumo, conforme as Escrituras, a opinião que como cristãos temos da Ceia do Senhor, chamada o Sacramento do corpo o do sangue de nosso Salvador Jesus Cristo.
Primeiro, confessamos que é um ato santo, ordenado por Deus, no qual o Senhor Jesus, mediante coisas terrenas e visíveis colocadas diante de nós, nos eleva até as coisas celestiais e invisíveis. E, que quando preparou o seu banquete espiritual, testificou que Ele era o pão vivo, com o qual as nossas almas seriam alimentadas para vida eterna.
E, portanto, ao dispor pão e vinho para comer e beber, nos confirma e sela a sua promessa e comunhão, (isto é, que seremos partícipes com ele em seu reino); e que nos representa e adapta aos nossos sentidos os seus dons celestiais; e também nos dá a si mesmo, para ser recebido pela fé, não com a boca, nem ainda pela transformação da substância; senão que, mediante a virtude do Espírito Santo, e que nós sendo alimentados com a sua carne, e restaurados com o seu sangue, sejamos renovados tanto para a verdadeira piedade e como para a imortalidade.
E, também confessamos que aqui o Senhor Jesus nos congrega num único corpo visível, de modo que sejamos membros uns dos outros, e todos sejamos participantes do mesmo corpo, do qual Jesus Cristo é a única Cabeça. E, finalmente, que por este sacramento, o Senhor nos chama a recordar a sua morte e paixão, para estimular em nossos corações o louvor ao seu santíssimo nome.
Ainda, reconhecemos que deste Sacramento se deve aproximar reverentemente, considerando que nele exibe e se concede o testemunho da maravilhosa união e entrelaçamento do Senhor Jesus com os que o recebem; e também, que ali está incluso e contido neste sacramento [um testemunho] de que ele preservará a sua igreja. Pois aqui somos ordenados anunciar a morte do Senhor até que ele venha.
Também cremos que ela é uma confissão, mediante a qual manifestamos que espécie de doutrina professamos; e a que congregação aderimos; e deste modo, que ela é um vínculo de amor mútuo entre nós. E finalmente, cremos que todos os que se aproximam desta santa Ceia devem trazer consigo a sua conversão ao Senhor, mediante um não fingido arrependimento em fé; e, neste sacramento receber os selos da confirmação da sua fé; sendo que não devem pensar de forma alguma que em virtude desta obra seus pecados são perdoados.
E a respeito destas palavras Hoc est corpus meum, ou seja, “Este é meu corpo”, das quais os papistas tanto dependem, dizendo que necessitamos crer que o pão e o vinho são transubstanciados no corpo e sangue de Cristo; reconhecemos que esta doutrina não é um artigo de fé pelo qual possamos ser salvos, nem que estejamos obrigados a crer sob pena de condenação eterna. Porque se crermos que seu próprio corpo natural, carne e sangue, estão naturalmente no pão e no vinho, isso não nos salvaria, percebemos que muitos deles crêem nisso, e o recebem para a sua própria condenação. Porque não é a sua presença no pão o que pode salvar-nos, senão que a sua presença em nossos corações, mediante a fé em seu sangue, o que lavou nossos pecados e pacificou a ira de seu Pai em relação a nós. E ainda, se não crermos em sua presença corporal no pão e no vinho, isso não nos condenará, mas sim a sua ausência de nossos corações pela incredulidade.
Agora, se objetassem aqui, e ainda que fosse verdade, que a ausência do pão não pudesse condenar-nos, ainda assim estamos obrigados a crer porque a Palavra de Deus que diz, “Este é meu corpo”, e quem não crer, não somente mente como também faz a Deus mentiroso; e, portanto, por termos uma mente obstinada não cremos na sua Palavra, nos tornamos passíveis de condenação. Quanto a isto respondemos que cremos na Palavra de Deus, e confessamos que é verdadeira, mas ela não deve ser entendida como os papistas grosseiramente afirmam. Pois no sacramento recebemos espiritualmente a Jesus Cristo, como fizeram os pais do Antigo Testamento, conforme o que disse S. Paulo. E se os homens pudessem como Cristo, ordenando este santo sacramento de seu corpo e seu sangue, que falou estas palavras sacramentalmente, sem dúvidas nunca as entenderiam tão absurda e tolamente, em oposição a toda Escritura e à exposição de S. Agostinho, S. Jerônimo, Fulgêncio, Vigílio, Orígenes e muitos outros escritores piedosos.
NOTA:
[1] Esta breve declaração é encontrada como um apêndice ao livro Vindication of the Doctrine that the Sacrifice of the Mass is Idolatry escrito por John Knox em 1550. Não se sabe quando ele escreveu este sumário sobre a Ceia do Senhor. Nota do tradutor.
Extraído de Kevin Reed, ed., Selected writings of John Knox – public epistles, treatises and expositions to 1559 (Dallas, Presbyterian Heritage Publications, 1995), pp. 66-69.
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terça-feira, 12 de dezembro de 2017
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
Os Artigos de Marburgo [1529]
Estes artigos são resultado do colóquio de Marburgo, realizado entre os dias 1 a 4 de Outubro de 1529, organizado pelo Princípe eleitor Philip de Hesse.
Artigo I
Que nós de ambos os lados, cremos e confessamos unanimemente que há apenas um único verdadeiro Deus natural, criador de todas as criaturas, e que este mesmo Deus é um em essência e natureza e trino em pessoas, a saber, Pai, Filho e Espírito Santo, como foi decretado no Concílio de Nicéia e é cantado e lido no Credo Niceno pela Igreja Cristã inteira em todo o mundo
Artigo II
Cremos que não o Pai, nem o Espírito Santo, mas o Filho de Deus Pai, ele próprio por natureza Deus verdadeiro, se tornou homem mediante a operação do Espírito Santo, sem a colaboração de semente masculina, nascendo da pura Virgem Maria, completo em corpo e alma como outro homem qualquer, mas sem pecado.
Artigo III
Que este Filho de Deus e de Maria, não dividido na pessoa, Jesus Cristo, foi crucificado por nós, morreu, foi sepultado, ressuscitou dos mortos, subiu ao céu, está assentado à direita de Deus, Senhor sobre todas as criaturas, e virá para julgar os vivos e os mortos.
Artigo IV
Cremos que o pecado original é inato, e herdado por nós de Adão, e é pecado de tal espécie que condena todas as pessoas. E se Jesus Cristo não tivesse vindo para nos ajudar com sua morte e vida, ser-nos-ia necessário morrer eternamente e não poderíamos ter entrado no reino de Deus e alcançado a salvação.
Artigo V
Cremos que somos salvos desse pecado e de todos os outros pecados, bem como da morte eterna, se cremos neste Filho de Deus, Jesus Cristo, que morreu por nós e que, além dessa fé, nenhuma obra posição ou ordem nos pode livrar de qualquer pecado.
Artigo VI
Que essa fé é dádiva de Deus, que não podemos obter mediante quaisquer obras precedentes ou méritos, nem adquirir por meio de nossas próprias forças, mas o Espírito Santo outorga e cria essa fé em nossos corações, como lhe agrada, quando ouvimos o Evangelho ou Palavra de Cristo.
Artigo VII
Que essa fé é nossa justiça perante Deus, em vista da qual Deus nos reconhece e nos considera justos, piedosos e santos, sem todas as obras e méritos e, por intermédio dela, nos livra do pecado, da morte e do inferno, e nos recebe em sua graça e nos salva, mediante seu Filho, no qual cremos e assim usufruímos e compartilhamos sua justiça, vida e todos os bens. Portanto, toda a vida e os votos monásticos, quando se considera que contribuem para a salvação, são completamente condenados.
Artigo VIII
Que o Espírito Santo normalmente não outorga essa fé ou dádiva a ninguém sem pregação, ou a palavra oral, ou tendo precedido o Evangelho de Cristo, mas, mediante essa palavra oral, e com ela produz e cria a fé onde e em quem lhe agrada (Rm 10:17).
Artigo IX
Que o Santo Batismo é um sacramento que foi instituído por Deus como auxílio a essa fé, e porque a ordem de Deus “ide, batizai”, e a promessa de Deus “aquele que crê” estão contidas nele, não é mero sinal vazio ou senha entre cristãos, mas antes sinal e obra de Deus Poe cujo intermédio nossa fé cresce e somos regenerados para a vida eterna.
Artigo X
Que essa fé, quando fomos considerados e declarados justos e santos por intermédio, pela eficácia do Espírito Santo, pratica boas obras por nosso intermédio, a saber, amar nosso próximo, orar a Deus e sofrer toda espécie de perseguição.
Artigo XI
Que a confissão ou busca de aconselhamento com seu pastor ou próximo deve, na verdade, ser voluntária e livre, não obstante, é muito útil às consciências aflitas, atribuladas ou oprimidas pelos pecados, ou que caíram em erro, especialmente devido à absolvição ou ao consolo do Evangelho, que é a verdadeira absolvição.
Artigo XII
Que todos os magistrados e leis seculares, tribunais e decretos, onde quer que existam, são verdadeiramente bons, e não são proibidos como alguns do papado e anabatistas ensinam e sustentam. Pelo contrário, que o cristão que nasce ou é chamado para uma dessas instituições, certamente pode ser salvo pela fé em Cristo, do mesmo modo como no estado de pai ou mãe, esposo ou esposa, etc.
Artigo XIII
O que se denomina tradição ou ordenança humana em questões espirituais ou eclesiásticas, caso não contradiga evidentemente a palavra de Deus, pode ser conservado ou abolido livremente conforme (a necessidade) do povo com o qual tratamos, a fim de evitar escândalo desnecessário na prática do amor para o fraco e para se preservar a paz. Também que a doutrina da proibição do matrimônio dos sacerdotes é doutrina do demônio (1 Tm 4:1 ss.)
Artigo XIV
Que o Batismo de crianças é correto, e que, mediante ele, elas são recebidas na graça de Deus e na cristandade.
Artigo XV
Todos cremos e sustentamos, no tocante à Ceia de nosso querido Senhor Jesus Cristo, que ambas as espécies devem ser usadas segundo a instituição de Cristo; também que a missa não é obra mediante a qual se obtém graça para outros, vivos ou mortos; também que o sacramento do Altar é o sacramento do verdadeiro corpo e sangue de Cristo, e que a participação espiritual desse corpo e sangue é especialmente necessária para todo cristão verdadeiro. Do mesmo modo, que o uso do sacramento, tal como acontece com a Palavra, é dado pelo Deus onipotente a fim de que consciências fracas possam, por seu intermédio, ser estimuladas a fé, pelo Espírito Santo. E apesar de, no momento, não concordarmos quanto a se o verdadeiro corpo e sangue de Cristo estão corporalmente presentes no pão e vinho, apesar disso, cada lado deve demonstrar amor cristão ao outro, o quanto permitir a consciência, e ambos devem orar com fervor ao Deus onipotente para que ele, mediante seu Espírito, nos confirme na reta compreensão Amém.
Martinus Luther, Johannes Brentius, Justus Jonas Johanes Oecolampadius, Philipus Melanchthon, Huldrychus Zwinglius, Andreas Osiander, Martinus Butzerus, Stephanus Agrícola, Caspar Hedio.
Artigo I
Que nós de ambos os lados, cremos e confessamos unanimemente que há apenas um único verdadeiro Deus natural, criador de todas as criaturas, e que este mesmo Deus é um em essência e natureza e trino em pessoas, a saber, Pai, Filho e Espírito Santo, como foi decretado no Concílio de Nicéia e é cantado e lido no Credo Niceno pela Igreja Cristã inteira em todo o mundo
Artigo II
Cremos que não o Pai, nem o Espírito Santo, mas o Filho de Deus Pai, ele próprio por natureza Deus verdadeiro, se tornou homem mediante a operação do Espírito Santo, sem a colaboração de semente masculina, nascendo da pura Virgem Maria, completo em corpo e alma como outro homem qualquer, mas sem pecado.
Artigo III
Que este Filho de Deus e de Maria, não dividido na pessoa, Jesus Cristo, foi crucificado por nós, morreu, foi sepultado, ressuscitou dos mortos, subiu ao céu, está assentado à direita de Deus, Senhor sobre todas as criaturas, e virá para julgar os vivos e os mortos.
Artigo IV
Cremos que o pecado original é inato, e herdado por nós de Adão, e é pecado de tal espécie que condena todas as pessoas. E se Jesus Cristo não tivesse vindo para nos ajudar com sua morte e vida, ser-nos-ia necessário morrer eternamente e não poderíamos ter entrado no reino de Deus e alcançado a salvação.
Artigo V
Cremos que somos salvos desse pecado e de todos os outros pecados, bem como da morte eterna, se cremos neste Filho de Deus, Jesus Cristo, que morreu por nós e que, além dessa fé, nenhuma obra posição ou ordem nos pode livrar de qualquer pecado.
Artigo VI
Que essa fé é dádiva de Deus, que não podemos obter mediante quaisquer obras precedentes ou méritos, nem adquirir por meio de nossas próprias forças, mas o Espírito Santo outorga e cria essa fé em nossos corações, como lhe agrada, quando ouvimos o Evangelho ou Palavra de Cristo.
Artigo VII
Que essa fé é nossa justiça perante Deus, em vista da qual Deus nos reconhece e nos considera justos, piedosos e santos, sem todas as obras e méritos e, por intermédio dela, nos livra do pecado, da morte e do inferno, e nos recebe em sua graça e nos salva, mediante seu Filho, no qual cremos e assim usufruímos e compartilhamos sua justiça, vida e todos os bens. Portanto, toda a vida e os votos monásticos, quando se considera que contribuem para a salvação, são completamente condenados.
Artigo VIII
Que o Espírito Santo normalmente não outorga essa fé ou dádiva a ninguém sem pregação, ou a palavra oral, ou tendo precedido o Evangelho de Cristo, mas, mediante essa palavra oral, e com ela produz e cria a fé onde e em quem lhe agrada (Rm 10:17).
Artigo IX
Que o Santo Batismo é um sacramento que foi instituído por Deus como auxílio a essa fé, e porque a ordem de Deus “ide, batizai”, e a promessa de Deus “aquele que crê” estão contidas nele, não é mero sinal vazio ou senha entre cristãos, mas antes sinal e obra de Deus Poe cujo intermédio nossa fé cresce e somos regenerados para a vida eterna.
Artigo X
Que essa fé, quando fomos considerados e declarados justos e santos por intermédio, pela eficácia do Espírito Santo, pratica boas obras por nosso intermédio, a saber, amar nosso próximo, orar a Deus e sofrer toda espécie de perseguição.
Artigo XI
Que a confissão ou busca de aconselhamento com seu pastor ou próximo deve, na verdade, ser voluntária e livre, não obstante, é muito útil às consciências aflitas, atribuladas ou oprimidas pelos pecados, ou que caíram em erro, especialmente devido à absolvição ou ao consolo do Evangelho, que é a verdadeira absolvição.
Artigo XII
Que todos os magistrados e leis seculares, tribunais e decretos, onde quer que existam, são verdadeiramente bons, e não são proibidos como alguns do papado e anabatistas ensinam e sustentam. Pelo contrário, que o cristão que nasce ou é chamado para uma dessas instituições, certamente pode ser salvo pela fé em Cristo, do mesmo modo como no estado de pai ou mãe, esposo ou esposa, etc.
Artigo XIII
O que se denomina tradição ou ordenança humana em questões espirituais ou eclesiásticas, caso não contradiga evidentemente a palavra de Deus, pode ser conservado ou abolido livremente conforme (a necessidade) do povo com o qual tratamos, a fim de evitar escândalo desnecessário na prática do amor para o fraco e para se preservar a paz. Também que a doutrina da proibição do matrimônio dos sacerdotes é doutrina do demônio (1 Tm 4:1 ss.)
Artigo XIV
Que o Batismo de crianças é correto, e que, mediante ele, elas são recebidas na graça de Deus e na cristandade.
Artigo XV
Todos cremos e sustentamos, no tocante à Ceia de nosso querido Senhor Jesus Cristo, que ambas as espécies devem ser usadas segundo a instituição de Cristo; também que a missa não é obra mediante a qual se obtém graça para outros, vivos ou mortos; também que o sacramento do Altar é o sacramento do verdadeiro corpo e sangue de Cristo, e que a participação espiritual desse corpo e sangue é especialmente necessária para todo cristão verdadeiro. Do mesmo modo, que o uso do sacramento, tal como acontece com a Palavra, é dado pelo Deus onipotente a fim de que consciências fracas possam, por seu intermédio, ser estimuladas a fé, pelo Espírito Santo. E apesar de, no momento, não concordarmos quanto a se o verdadeiro corpo e sangue de Cristo estão corporalmente presentes no pão e vinho, apesar disso, cada lado deve demonstrar amor cristão ao outro, o quanto permitir a consciência, e ambos devem orar com fervor ao Deus onipotente para que ele, mediante seu Espírito, nos confirme na reta compreensão Amém.
Martinus Luther, Johannes Brentius, Justus Jonas Johanes Oecolampadius, Philipus Melanchthon, Huldrychus Zwinglius, Andreas Osiander, Martinus Butzerus, Stephanus Agrícola, Caspar Hedio.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
A externa administração da igreja - Johannes Wollebius
(1)
1. Temos discutido a natureza da igreja. A sua administração será o próximo assunto.
2. Esta é tanto ordinária como extraordinária.
3. A administração ordinária é tanto pública como privada.
4. A administração pública é tanto eclesiástica como civil.
5. A administração eclesiástica é aquela que lida com assuntos espirituais.
6. Alguns de seus assuntos estão restritos àqueles que detém o ofício na igreja [personae in eclesia publicae]; e alguns outros são compartilhados por toda a congregação [coetus].
7. O que é restrito são as coisas que são realizadas por alguns ministros da igreja em razão de seu chamado.
8. Os ministros da igreja são as pessoas que Deus colocou como autoridade na igreja.[1]
PROPOSIÇÕES
I. Ninguém pode ser posto como autoridade na igreja a menos que seja legitimamente chamado.
II. Ninguém pode ser forçado a exercer o ofício eclesiástico.
III. O casamento não é proibido aos ministros. 1 Co 9:5 “não temos o direito de sermos acompanhados por uma irmã como esposa,[2] como os outros apóstolos e o irmão do Senhor, e Cefas?”; 1 Tm 3:2 “o bispo precisa ser irrepreensível, marido de uma esposa”; 1 Tm 3:4 “que governe bem a própria casa, criando os filhos submissos e respeitosos cada todas as coisas”.
(2)
1. Os ministros são tanto extraordinários como ordinários.
2. Os ministros extraordinários eram aqueles homens que Deus levantou para estabelecer um novo regime na igreja, ou para restaurar o antigo naquilo que ela tinha falhado. Assim, sob o Antigo Testamento, eram os profetas. No tempo do Novo Testamento temos João Batista, Cristo, os apóstolos, os profetas (i.e., homens com dom de interpretação Escritura), os evangelistas que acompanhavam e assistentes dos apóstolos, os pastores das igrejas e os mestres encarregados das escolas (Ef 4:11) [eram ministros extraordinários].
PROPOSIÇÕES
I. As marcas do ministro extraordinário eram os dons extraordinários.
II. Estes eram os dons de profecia, línguas e milagres.
III. Estes dons extraordinários antigamente abundavam sempre que a vontade de Deus, ou a necessidade da igreja os exigia, e depois eram retirados, e o ministério ordinário continua.
3. Os ministros ordinários são aqueles que são providos e chamados pelos meios ordinários.
4. Eles são tanto pastores, mestres, presbíteros [presbyteri] e diáconos.
5. Os pastores são aqueles que supervisionam uma particular congregação, para pregar, administrar os sacramentos e cuidar do rebanho.
PROPOSIÇÕES
I. O título de bispo pertence a todos os pastores (1 Tm 3:1).
II. Embora se desenvolveu o costume na igreja, que quem preside uma diocese de igrejas locais é chamado de bispo, o título de bispo universal não se deve conceder a ninguém.
6. Os mestres são aqueles que percebem a verdadeira doutrina, ensinando-a aos jovens nas escolas, bem como, fazem com que prevaleça na igreja.
PROPOSIÇÕES
Entre os pastores e mestres há estas diferenças: pastores são líderes nas igrejas, enquanto os mestres das escolas; pastores são pessoalmente dedicados a mover [a vontade] de seus ouvintes, enquanto que os mestres fazem instruindo-os.[3]
7. Os presbíteros são homens honestos e piedosos, assistentes [adiuncti] dos pastores, que servem em assuntos que afetam o bem-estar da igreja, em visitar o rebanho, tomando nota das irregularidades na vida e coisas similares.
8. Aqueles usos para diáconos e diaconisas[4] se referiam a quem eram confiáveis para receber e distribuir a propriedade eclesiástica (At 6:1-6; 1 Tm 3:8-10).[5]
[ TEXTO COMPLETO ACESSE AQUI ]
NOTAS:
[1] Alexander Ross traduz: “Os ministros são aqueles que Deus comissionou para conduzir o seu rebanho” in: The Abridgment of Christian Divinity, p. 214. Nota de Ewerton B. Tokashiki.
[2] Soror uxor, com Beza. Veja comentários. Nota de John W. Beardslee III.
[3] Alexander Ross traduz: “Pastores diferem dos doutores, que nisto eles têm a condução da igreja, e estes da escola; aqueles movem as afeições, e estes informam o entendimento do seu auditório”. The Abridgment of Christian Divinity, p. 217. Nota de Ewerton B. Tokashiki.
[4] O texto latino: “Diaconi & diaconisse olim erant, quibus bona Eclesiastica coligenda & distribuenda concredita erant” [Os diáconos e diaconisas que por sua vez faziam a coleta e distribuição dos bens eclesiásticos que lhes foram confiados] in: Joanne Wollebio, Compendium Theologicae Christianae (Amsterdami, Apud Aegidum Janssonium Valckenier, 1655), p. 154. Alexander Ross traduz: “Diáconos e diaconisas, na antiguidade, eram eles que faziam a coleta e a distribuição dos bens da igreja” in: The Abridgment of Christian Divinity, p. 217. A tradição reformada ignora a existência de diaconisas, embora Wollebius faça menção a elas. A ordenação feminina é uma novidade entre igrejas presbiterianas e reformadas que aderiram ao liberalismo teológico no século XX. Nota de Ewerton B. Tokashiki.
[5] O título “diácono” permanece em muitas igrejas reformadas, mas não é universalmente usado. Nota de John W. Beardslee III.
1. Temos discutido a natureza da igreja. A sua administração será o próximo assunto.
2. Esta é tanto ordinária como extraordinária.
3. A administração ordinária é tanto pública como privada.
4. A administração pública é tanto eclesiástica como civil.
5. A administração eclesiástica é aquela que lida com assuntos espirituais.
6. Alguns de seus assuntos estão restritos àqueles que detém o ofício na igreja [personae in eclesia publicae]; e alguns outros são compartilhados por toda a congregação [coetus].
7. O que é restrito são as coisas que são realizadas por alguns ministros da igreja em razão de seu chamado.
8. Os ministros da igreja são as pessoas que Deus colocou como autoridade na igreja.[1]
PROPOSIÇÕES
I. Ninguém pode ser posto como autoridade na igreja a menos que seja legitimamente chamado.
II. Ninguém pode ser forçado a exercer o ofício eclesiástico.
III. O casamento não é proibido aos ministros. 1 Co 9:5 “não temos o direito de sermos acompanhados por uma irmã como esposa,[2] como os outros apóstolos e o irmão do Senhor, e Cefas?”; 1 Tm 3:2 “o bispo precisa ser irrepreensível, marido de uma esposa”; 1 Tm 3:4 “que governe bem a própria casa, criando os filhos submissos e respeitosos cada todas as coisas”.
(2)
1. Os ministros são tanto extraordinários como ordinários.
2. Os ministros extraordinários eram aqueles homens que Deus levantou para estabelecer um novo regime na igreja, ou para restaurar o antigo naquilo que ela tinha falhado. Assim, sob o Antigo Testamento, eram os profetas. No tempo do Novo Testamento temos João Batista, Cristo, os apóstolos, os profetas (i.e., homens com dom de interpretação Escritura), os evangelistas que acompanhavam e assistentes dos apóstolos, os pastores das igrejas e os mestres encarregados das escolas (Ef 4:11) [eram ministros extraordinários].
PROPOSIÇÕES
I. As marcas do ministro extraordinário eram os dons extraordinários.
II. Estes eram os dons de profecia, línguas e milagres.
III. Estes dons extraordinários antigamente abundavam sempre que a vontade de Deus, ou a necessidade da igreja os exigia, e depois eram retirados, e o ministério ordinário continua.
3. Os ministros ordinários são aqueles que são providos e chamados pelos meios ordinários.
4. Eles são tanto pastores, mestres, presbíteros [presbyteri] e diáconos.
5. Os pastores são aqueles que supervisionam uma particular congregação, para pregar, administrar os sacramentos e cuidar do rebanho.
PROPOSIÇÕES
I. O título de bispo pertence a todos os pastores (1 Tm 3:1).
II. Embora se desenvolveu o costume na igreja, que quem preside uma diocese de igrejas locais é chamado de bispo, o título de bispo universal não se deve conceder a ninguém.
6. Os mestres são aqueles que percebem a verdadeira doutrina, ensinando-a aos jovens nas escolas, bem como, fazem com que prevaleça na igreja.
PROPOSIÇÕES
Entre os pastores e mestres há estas diferenças: pastores são líderes nas igrejas, enquanto os mestres das escolas; pastores são pessoalmente dedicados a mover [a vontade] de seus ouvintes, enquanto que os mestres fazem instruindo-os.[3]
7. Os presbíteros são homens honestos e piedosos, assistentes [adiuncti] dos pastores, que servem em assuntos que afetam o bem-estar da igreja, em visitar o rebanho, tomando nota das irregularidades na vida e coisas similares.
8. Aqueles usos para diáconos e diaconisas[4] se referiam a quem eram confiáveis para receber e distribuir a propriedade eclesiástica (At 6:1-6; 1 Tm 3:8-10).[5]
[ TEXTO COMPLETO ACESSE AQUI ]
NOTAS:
[1] Alexander Ross traduz: “Os ministros são aqueles que Deus comissionou para conduzir o seu rebanho” in: The Abridgment of Christian Divinity, p. 214. Nota de Ewerton B. Tokashiki.
[2] Soror uxor, com Beza. Veja comentários. Nota de John W. Beardslee III.
[3] Alexander Ross traduz: “Pastores diferem dos doutores, que nisto eles têm a condução da igreja, e estes da escola; aqueles movem as afeições, e estes informam o entendimento do seu auditório”. The Abridgment of Christian Divinity, p. 217. Nota de Ewerton B. Tokashiki.
[4] O texto latino: “Diaconi & diaconisse olim erant, quibus bona Eclesiastica coligenda & distribuenda concredita erant” [Os diáconos e diaconisas que por sua vez faziam a coleta e distribuição dos bens eclesiásticos que lhes foram confiados] in: Joanne Wollebio, Compendium Theologicae Christianae (Amsterdami, Apud Aegidum Janssonium Valckenier, 1655), p. 154. Alexander Ross traduz: “Diáconos e diaconisas, na antiguidade, eram eles que faziam a coleta e a distribuição dos bens da igreja” in: The Abridgment of Christian Divinity, p. 217. A tradição reformada ignora a existência de diaconisas, embora Wollebius faça menção a elas. A ordenação feminina é uma novidade entre igrejas presbiterianas e reformadas que aderiram ao liberalismo teológico no século XX. Nota de Ewerton B. Tokashiki.
[5] O título “diácono” permanece em muitas igrejas reformadas, mas não é universalmente usado. Nota de John W. Beardslee III.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Carta de Martinho Lutero a George Spalatino [Novembro de 1521]
A George Spalatino, discípulo de Cristo, seu amigo na fé.[1]
Jesus. Saudações. Creio que nunca recebi uma carta tão desagradável como a última que você me enviou. Estava decidido não somente a demorar responder, como também a não responder.
Em primeiro lugar, não estou disposto a suportar o que me disse, de que o príncipe não suportará que escreva contra o de Magnuncia, nem nada que possa perturbar a paz pública; pelo contrário, permanecerei sem você, sem o príncipe e sem ninguém no mundo. Se enfrentei o papa, criador do engano, vou me deter diante a sua criatura? Declara muito formoso que não se deve perturbar a paz pública, e você sofreria por turbar a paz eterna de Deus com as ações ímpias e profanas dessa perdição? Isto não sucederá, caro Spalatino; não ocorrerá isto, príncipe, senão que por amor das ovelhas de Cristo e para exemplo dos demais há que resistir ferozmente a este perigosíssimo lobo. Por isso lhe envio o panfleto[2] que preparei contra ele quando recebi a sua carta que não me fez mudar em nada, ainda que o submeti a juízo de Felipe para que o corrigisse no que cresse ser necessário. Não pense impedir a devolução do livro a Felipe nem desestimulá-lo. Considere que não farei isto.
Não deveria impressioná-lo que nós e nossos amigos nos vejamos na precisão de ouvir insultos por parte de nossos adversários, ou dos excessivamente prudentes nas coisas divinas, já que você sabe muito bem que nem Cristo, nem o apóstolo foram agradáveis aos homens. Além do mais, até agora não chegou aos meus ouvidos que aos nossos sejam acusados de algum crime, senão somente de depreciar a impiedade e as doutrinas da perdição, ainda que não me agradem as atitudes dos jovens que receberam mal o enviado dos antonianos.[3] Mas, quem seria capaz de frear sempre a todos e em todo lugar? Ou, eles jamais obram mal? Até os discípulos sofreram a vergonha de Judas Iscariotes e diariamente tiveram que suportar as comunidades por causa de seus maus membros; somente de nós é exigido que não gemamos. Peço a você que não espere a redação de uma apologia para cada um daqueles que desagrada a Wittenberg; não há nada mais impossível.
Não perecerá o evangelho porque algum de nós peque por falta de modéstia: os que por este motivo se afastam da palavra estão provando que não foi ela que aceitaram, senão somente a sua glória. As portas do inferno não poderão separar dela os que acolheram a palavra por causa da palavra. O que quer abandoná-la, que a abandone. Por que não se fixam no melhor e mais sólido que possuímos? Por que se apegam somente ao pior e ao mais fraco? É Felipe e os seus amigos acusados deste crime? Por que condenam o todo por uma parte? É um pecado mais leve receber um pregador ímpio do que aceitar fielmente a sua doutrina. Todavia, este pecado se vê elogiado e o pregador condenado como irredimível. E juízes e equidades desta atitude te fazem temer que o evangelho vá perecer por razões que não são mais do que fumaça?[4]
Confirmo a revogação das missas neste livro que te envio junto a carta.[5] Não pude preparar a Paraclesis, nem creio ser necessário fazê-lo, pelo fato de abordar o assunto em minha Tessaradecade.[6] Por que não facilita a leitura desta obra? Por que não se convence de ler o evangelho e a paixão de Cristo, pois não encontrará consolo melhor? Terei que escrever uma consolação para cada caso? O que diriam os inimigos? Além do mais, espero que baste a Paraclesis de Felipe, pois imagino que no intervalo cessará a enfermidade de seu ânimo, e desta forma a minha chegaria tarde e resultaria inútil. Não será ímpio, nem perigoso diferir ou descuidá-lo de tais circunstâncias.
O que de fato me preocupa agora é a perdição das almas, que é sobre o que ando trabalhado. Estou determinado a atacar os votos dos religiosos e liberar os jovens deste inferno do celibato, imundo e condenadíssimo por causa das coceiras e das poluções. Estou escrevendo isto em parte por causa das tentações, e em parte pela indignação que sinto.[7] Verá que é bom. Não há um só Satanás comigo, ou melhor, contra mim, que estou sozinho e, às vezes, me faço só.
Adeus e saúda a todos os nossos. A Gerbel[8] e lhe escrevi quando recebi a sua última e tudo estava fechado e selado.
Dia de são Martin, 1521. Seu Martinus Luther.
NOTAS:
[1] WA Br 2, 402-403.
[2] Alberto de Maguncia para conseguir ingressos que sanassem as suas finanças em Setembro de 1521 realizou uma exposição indulgenciando as relíquias de sua igreja em Halle. Para evitar reações enviou emissários a Wittenberg que tratassem de convencer ao príncipe eleitor e a amigos de Lutero da conveniência de não se opor. Parece que em parte conseguiu. Mas Lutero escreveu um furioso panfleto Contra o ídolo de Halle, cuja publicação irritou o príncipe. Note-se a violência de Lutero e a reincidência do cardeal, personagem ambíguo e não afetado pelos sucessos de 1517.
[3] Em 5 de Outubro, seguindo o costume, os monges antonianos de Lichtenburg enviaram delegados para recolher esmolas. Foram recebidos violentamente e não foi possível nem sequer pregar.
[4] Is 7:4.
[5] De Abroganda missa privata M. Lutheri setentia: WA 8, 411-476.
[6] A Paraclesis, ou tratado consolatório, neste caso dedicado ao príncipe. Tessaradecas consolatoria pro laborantibus et oneratis, escrito em 1520: WA 6, 104-134.
[7] Plano de sua obra De votis monasticis: WA 8, 573-669.
[8] Nicolás Gerbel foi um jurisconsulto de Estraburgo a quem se dirigiu em 1 Novembro de 1521 (WA Br 2, 396-398).
Extraído de Teófanes Egido, org., Lutero – Obras (Salamanca, Ediciones Síguime, 4ª ed., 2006), pp. 390-391.
Traduzido em 5 de Janeiro de 2015.
Rev. Ewerton B. Tokashiki
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho
Professor de Teologia Sistemática do SPBC-RO.
Jesus. Saudações. Creio que nunca recebi uma carta tão desagradável como a última que você me enviou. Estava decidido não somente a demorar responder, como também a não responder.
Em primeiro lugar, não estou disposto a suportar o que me disse, de que o príncipe não suportará que escreva contra o de Magnuncia, nem nada que possa perturbar a paz pública; pelo contrário, permanecerei sem você, sem o príncipe e sem ninguém no mundo. Se enfrentei o papa, criador do engano, vou me deter diante a sua criatura? Declara muito formoso que não se deve perturbar a paz pública, e você sofreria por turbar a paz eterna de Deus com as ações ímpias e profanas dessa perdição? Isto não sucederá, caro Spalatino; não ocorrerá isto, príncipe, senão que por amor das ovelhas de Cristo e para exemplo dos demais há que resistir ferozmente a este perigosíssimo lobo. Por isso lhe envio o panfleto[2] que preparei contra ele quando recebi a sua carta que não me fez mudar em nada, ainda que o submeti a juízo de Felipe para que o corrigisse no que cresse ser necessário. Não pense impedir a devolução do livro a Felipe nem desestimulá-lo. Considere que não farei isto.
Não deveria impressioná-lo que nós e nossos amigos nos vejamos na precisão de ouvir insultos por parte de nossos adversários, ou dos excessivamente prudentes nas coisas divinas, já que você sabe muito bem que nem Cristo, nem o apóstolo foram agradáveis aos homens. Além do mais, até agora não chegou aos meus ouvidos que aos nossos sejam acusados de algum crime, senão somente de depreciar a impiedade e as doutrinas da perdição, ainda que não me agradem as atitudes dos jovens que receberam mal o enviado dos antonianos.[3] Mas, quem seria capaz de frear sempre a todos e em todo lugar? Ou, eles jamais obram mal? Até os discípulos sofreram a vergonha de Judas Iscariotes e diariamente tiveram que suportar as comunidades por causa de seus maus membros; somente de nós é exigido que não gemamos. Peço a você que não espere a redação de uma apologia para cada um daqueles que desagrada a Wittenberg; não há nada mais impossível.
Não perecerá o evangelho porque algum de nós peque por falta de modéstia: os que por este motivo se afastam da palavra estão provando que não foi ela que aceitaram, senão somente a sua glória. As portas do inferno não poderão separar dela os que acolheram a palavra por causa da palavra. O que quer abandoná-la, que a abandone. Por que não se fixam no melhor e mais sólido que possuímos? Por que se apegam somente ao pior e ao mais fraco? É Felipe e os seus amigos acusados deste crime? Por que condenam o todo por uma parte? É um pecado mais leve receber um pregador ímpio do que aceitar fielmente a sua doutrina. Todavia, este pecado se vê elogiado e o pregador condenado como irredimível. E juízes e equidades desta atitude te fazem temer que o evangelho vá perecer por razões que não são mais do que fumaça?[4]
Confirmo a revogação das missas neste livro que te envio junto a carta.[5] Não pude preparar a Paraclesis, nem creio ser necessário fazê-lo, pelo fato de abordar o assunto em minha Tessaradecade.[6] Por que não facilita a leitura desta obra? Por que não se convence de ler o evangelho e a paixão de Cristo, pois não encontrará consolo melhor? Terei que escrever uma consolação para cada caso? O que diriam os inimigos? Além do mais, espero que baste a Paraclesis de Felipe, pois imagino que no intervalo cessará a enfermidade de seu ânimo, e desta forma a minha chegaria tarde e resultaria inútil. Não será ímpio, nem perigoso diferir ou descuidá-lo de tais circunstâncias.
O que de fato me preocupa agora é a perdição das almas, que é sobre o que ando trabalhado. Estou determinado a atacar os votos dos religiosos e liberar os jovens deste inferno do celibato, imundo e condenadíssimo por causa das coceiras e das poluções. Estou escrevendo isto em parte por causa das tentações, e em parte pela indignação que sinto.[7] Verá que é bom. Não há um só Satanás comigo, ou melhor, contra mim, que estou sozinho e, às vezes, me faço só.
Adeus e saúda a todos os nossos. A Gerbel[8] e lhe escrevi quando recebi a sua última e tudo estava fechado e selado.
Dia de são Martin, 1521. Seu Martinus Luther.
NOTAS:
[1] WA Br 2, 402-403.
[2] Alberto de Maguncia para conseguir ingressos que sanassem as suas finanças em Setembro de 1521 realizou uma exposição indulgenciando as relíquias de sua igreja em Halle. Para evitar reações enviou emissários a Wittenberg que tratassem de convencer ao príncipe eleitor e a amigos de Lutero da conveniência de não se opor. Parece que em parte conseguiu. Mas Lutero escreveu um furioso panfleto Contra o ídolo de Halle, cuja publicação irritou o príncipe. Note-se a violência de Lutero e a reincidência do cardeal, personagem ambíguo e não afetado pelos sucessos de 1517.
[3] Em 5 de Outubro, seguindo o costume, os monges antonianos de Lichtenburg enviaram delegados para recolher esmolas. Foram recebidos violentamente e não foi possível nem sequer pregar.
[4] Is 7:4.
[5] De Abroganda missa privata M. Lutheri setentia: WA 8, 411-476.
[6] A Paraclesis, ou tratado consolatório, neste caso dedicado ao príncipe. Tessaradecas consolatoria pro laborantibus et oneratis, escrito em 1520: WA 6, 104-134.
[7] Plano de sua obra De votis monasticis: WA 8, 573-669.
[8] Nicolás Gerbel foi um jurisconsulto de Estraburgo a quem se dirigiu em 1 Novembro de 1521 (WA Br 2, 396-398).
Extraído de Teófanes Egido, org., Lutero – Obras (Salamanca, Ediciones Síguime, 4ª ed., 2006), pp. 390-391.
Traduzido em 5 de Janeiro de 2015.
Rev. Ewerton B. Tokashiki
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho
Professor de Teologia Sistemática do SPBC-RO.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
A forma das orações e ministração dos sacramentos - por John Knox [1562]
A FORMA DAS ORAÇÕES E MINISTRAÇÃO DOS SACRAMENTOS - usada na Congregação da Inglesa em Genebra aprovada pelo famoso e sábio homem de Deus, Sr. João Calvino
TRADUÇÃO: Pb. Frank Penha
[1 Coríntios 3] NENHUM HOMEM PODE COLOCAR outro fundamento, o qual já foi posto que é Cristo Jesus [ano de 1562 d.C.]
CONTEÚDO DESTE LIVRO
1. Da Confissão da Fé Cristã
2. Da maneira de eleição de Ministros, Presbíteros e Diáconos.
3. Da reunião semanal dos Ministros, Presbíteros e Diáconos.
4. De como lidar com a interpretação das Escrituras, de responder as dúvidas, observado a toda segunda-feira.
5. Sobre a confissão de nossos pecados usada antes do sermão, moldada para a ocasião e tempo presente.
6. De outra confissão para todas as Ocasiões e Tempos.
7. Da oração geral feita após o sermão pelo estado geral das Igrejas de Cristo.
8. Da ministração do Batismo e da Ceia do Senhor
9. Da forma do Matrimônio, da visitação aos enfermos e a forma do sepultamento.
10. Da ordem da Disciplina Eclesiástica.
[ PARA LEITURA DO TEXTO COMPLETO - ACESSE AQUI ]
TRADUÇÃO: Pb. Frank Penha
[1 Coríntios 3] NENHUM HOMEM PODE COLOCAR outro fundamento, o qual já foi posto que é Cristo Jesus [ano de 1562 d.C.]
CONTEÚDO DESTE LIVRO
1. Da Confissão da Fé Cristã
2. Da maneira de eleição de Ministros, Presbíteros e Diáconos.
3. Da reunião semanal dos Ministros, Presbíteros e Diáconos.
4. De como lidar com a interpretação das Escrituras, de responder as dúvidas, observado a toda segunda-feira.
5. Sobre a confissão de nossos pecados usada antes do sermão, moldada para a ocasião e tempo presente.
6. De outra confissão para todas as Ocasiões e Tempos.
7. Da oração geral feita após o sermão pelo estado geral das Igrejas de Cristo.
8. Da ministração do Batismo e da Ceia do Senhor
9. Da forma do Matrimônio, da visitação aos enfermos e a forma do sepultamento.
10. Da ordem da Disciplina Eclesiástica.
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