domingo, 26 de março de 2017

O pecado atual - Johannes Wollebius

(I)
Do mesmo modo que o pecado original. O pecado atual é algo que viola a lei de Deus no pensamento, desejo, palavra e ações.

PROPOSIÇÕES

I. O pecado tem diversas formas por causa da variedade de circunstâncias.
II. O pecado pode ser, dependendo de quem o comete [ex causa efficiens], tanto pessoas públicas ou privadas, e de pessoas dado maior ou menor grau de importância.
III. Ele pode ser, dependendo da causa material, em pensamento, desejo, palavra, ou ação.
IV. Ele é, dependendo da causa formal, tanto de omissão como de comissão.
V. Ele é, dependendo da causa final, tanto por impulso como de paixão, ou um pecado contra a consciência; assim, ele pode ser o resultado da natureza má em vez de uma fraqueza, ou da fraqueza e não da natureza má.[1]
VI. Ele é, dependendo do sujeito, um pecado do corpo ou da alma, ou de ambos.
VII. Ele é, dependendo do objeto, cometido contra Deus, ou contra o próximo.
VIII. Se contra Deus, ele é praticado com parte da vontade, ou com toda a vontade. O último a Escritura chama de “o pecado contra o Espírito Santo” e “pecado para morte” (Mt 12:32; 1 Jo 5:16).
IX. O pecado contra o Espírito Santo, ou pecado para morte, é cometido quando alguém que é convencido em sua consciência pelo testemunho do Espírito Santo, e mesmo assim, por assim dizer, levanta a sua cabeça contra ele com ódio, perversidade e orgulho.[2]
X. O pecado contra homens prejudica tanto a superiores, inferiores, ou iguais, pessoas vinculadas [ao pecador] sejam mais próximos, ou de distantes graus de parentesco, afinidade, etc.
XI. Dependendo das circunstâncias [ex adiunctis] o pecado pode ser em si [per se], ou per accidens. Um exemplo de pecado per accidens é o escândalo em relação as ações que são indiferentes em si (Rm 14).
XII. Nenhum pecado é por natureza tão pequeno [veniale seu tam leve] que não mereça condenação. Isto significa a rejeição do erro dos papistas, que ensinam que alguns pecados são veniais. A razão é esclarecida a partir do objeto e efeito; não há pecado no qual o crime contra a divina e infinita majestade de Deus não seja afetada.
XIII. Mas de fato todos os pecados podem ser perdoados pelo mérito e graça de Cristo, exceto a incredulidade final [infidelitas finalis], e o pecado contra o Espírito Santo. Não é uma questão destes últimos serem mais poderosos do que o mérito e graça de Cristo. Eles são rejeições deste mérito e graça com o seu desprezo.
XIV. O julgamento concernente a relativa seriedade [de gradibus] dos outros pecados precisam ser feitos sobre a base das circunstâncias, em consideração do que eles podem ser avaliados, como mais ou menos graves. Por exemplo, um pecado é mais grave se cometido por uma pessoa de alto grau, mais do que cometido por uma pessoa de baixa posição. “Quanto mais atraente é o crime em si, maior a culpa do criminoso.” Um pecado premeditado é mais grave do que quando meramente pensado, e o de palavra e ação é mais grave do que o praticado em pensamento e desejo. Um pecado deliberado é pior do que um de omissão da mesma ordem. Um pecado contra Deus é pior do que o que é cometido contra o próximo. Um pecado cometido em relação a quem temos razões para sermos contidos do pecado, é mais grave do que se cometido em relação qualquer um; por exemplo, um pecado contra os pais é mais grave do que um da mesma ordem contra um irmão. Um mau exemplo [scandalum] é mais grave quando diante dos jovens do quando o praticamos em relação aos adultos.[3 ]

NOTAS:
[1] Alexander Ross traduz: “Quanto ao fim; ele é tanto da incoerência, ou da afeição, e contra a consciência; e pode ser malícia, e não uma enfermidade; ou o contrário, uma enfermidade, e não malícia.” The Abridgment of Christian Divinity, p. 83.
[2] F. Turrentin também (Locus IX, Questão XIV.3) enfatiza que o pecado para morte precisa ser mais do que ausência de arrependimento final “porque todos os réprobos morrem no final impenitentes, mas de nem todos pode ser afirmado terem pecado contra o Espírito Santo.”
[3] Aqui há base para a casuística que é tão importante na Theologia Practica de Voetius.

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