sábado, 4 de novembro de 2017

O chamado comum ao estado da graça - Johannes Wollebius

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1. Assim é a redenção de Cristo, que é a causa eficiente do estado de graça. Chamando resultados para isto.
2. O chamado é [entendido como tal] comum aos eleitos e réprobos, ou, exatamente, somente aos eleitos.

(2)

O chamado comum é ato pelo qual todas as pessoas que são convidadas ao estado de graça ou à participação em Cristo, o mediador.[1] Ele pode ser um chamado à eleição de toda uma nação particular (Dt 7:6: “O SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra”).

PROPOSIÇÕES

I. Com a eleição e chamado, a [convocação para] o ofício é uma coisa, e a salvação é outra; apenas a segunda será aqui considerada. Um exemplo de eleição e chamado ao ofício é Saul (1 Sm 10:24: “Vedes a quem o SENHOR escolheu?”).
II. A causa eficiente deste chamado é toda a Santa Trindade, mas especialmente [singulariter] Cristo o Senhor, quem nos dias de seu ministério na terra, pessoalmente [immediate] chamou pecadores e quem agora chama-os pela agência de seus ministros. Mt 22:2-3: “O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho. Então, enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; mas estes não quiseram vir”, etc. Mc 1:14-15: “Foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho”. 2 Co 5:20: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio”.
III. Este chamado é endereçado a todos os homens, e não apenas aos eleitos, mas às pessoas de todas as classes e todas etnias da raça humana. O completo registro do Antigo Testamento é uma testemunha de que nem todos são chamados. Naquele tempo Deus chamou a nação israelita, ignorando os outros povos. Também, no tempo do Novo Testamento, nem todas as pessoas foram chamadas; assim, muitos nunca ouviram nada acerca do Senhor Cristo. A parábola de Cristo, em que os bons e os maus são convidados, e muitos são chamados, mas poucos escolhidos (Mt 22:10-14), expõe o ensino de que não são apenas os eleitos que são chamados. Mas seres individuais, isto é, pessoas de todas as classes e condições são chamadas em cada época.
IV. A forma deste chamado consiste em parte da oferta e benefícios da redenção, e em parte na ordem de aceitá-lo. 2 Co 5:20: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”.
V. O seu propósito é a glória de Deus e a salvação dos eleitos. Isto serve tanto para a glória de sua misericórdia com o eleito, que responde ao chamado, com para a glória de sua justiça com o réprobo que é desobediente.
VI. Por isso, este chamado ordinário é primariamente uma apropriação [propter] do eleito, e secundariamente um juízo sobre o réprobo.
VII. Ele chama sinceramente [serio][2] a ambas [espécies de pessoas] sem engano.
VIII. Por isso, o chamado comum não é a base para qualquer conclusão com respeito a eleição, pois o chamado comum é estendido tanto ao réprobo como ao eleito, e por isso ele é sujeito à condição da fé. Embora uma nação inteira pudesse ser chamada de “escolhida”, todavia, nem todos os membros eram eleitos. Assim a nação judia é chamada de escolhida, embora muitos judeus eram réprobos.
IX. As pessoas são ordenadas a crer que são eleitas não pelos meios que elas são eleitas; nem são ordenadas a crer nisto de modo inquestionável, mas pelo exame da sua fé. 2 Co 13:5-6: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. Mas espero reconheçais que não somos reprovados”.

NOTAS:
[1] Conferir Francis Turrentin, Locus IV, Questões XIV, XV, XVII etc., especialmente XVII, vi-xxvii, xlv-xlvi. Nota de John W. Beardslee III.
[2] Wollebius trata isto como equivalente de avupókritos, a forma adjetivada da qual é traduzida por “genuína e “sincera” na RSV. Nota de John W. Beardslee III.

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