domingo, 26 de novembro de 2017

Carta de Calvino à Farel [16/02/1541]

CHEGADA DE CALVINO A GENEBRA – SUA ENTREVISTA COM OS MAGISTRADOS – ELABORA UMA FORMA DE DISCIPLINA ECLESIÁSTICA – ACONSELHA FAREL QUANTO À MODERAÇÃO.

GENEBRA, 16 de Setembro de 1541[1]

Como você desejava, eu estou estabelecido aqui; que o Senhor faça que isso coopere para o bem. Para o momento, eu devo manter Viret aqui também, por quem não vou sofrer de modo nenhum por ele ser levado para longe de mim. E você, ademais, e todos os irmãos, esforcem-se ao máximo para me ajudar aqui, a menos que vocês tenham me torturado sem propósito, e me tornado completamente deplorável, sem nenhum benefício a ser obtido. Imediatamente após eu ter oferecido meus serviços ao Senado, declarei que uma Igreja não pode se manter a menos que um sistema de governo estabelecido seja acordado, do modo como prescrito a nós na palavra de Deus, e tal como era usado na Igreja antiga. Depois eu toquei gentilmente em certos pontos de modo que eles pudessem entender qual era o meu desejo. Mas porque toda a questão da disciplina era muito grande para ser discutida daquela forma, pedi-lhes que nomeassem alguns dentre eles, que pudessem tratar do assunto conosco. Seis deles foram designados em seguida. Artigos relativos a toda a política eclesiástica serão preparados, os quais nós devemos apresentar ao Senado logo em sequência. Os três colegas demonstraram algum sinal de concordância com nós dois. De algum modo, pelo menos, serão obtidos. Desejamos sinceramente saber como as coisas estão indo em sua Igreja.[2] Esperamos, no entanto, que, influenciados pela autoridade dos de Berna e Bienna, esses problemas tenham sido completamente resolvidos, ou pelo menos acalmados de algum modo. Quando você tem Satanás para combater, e você luta sob a bandeira de Cristo, aquele que cinge sua armadura e te conduziu à batalha, te dará a vitória. Mas, uma vez que uma boa causa exige também um bom instrumento, tenha o cuidado de não lhe fazer tantas concessões, de modo a pensar que não houve nada desejável de sua parte que bons homens possam razoavelmente esperar de você. Nós não aconselhamos você a manter uma consciência boa e pura, sobre a qual, não temos quaisquer dúvidas; só desejamos sinceramente, que na medida que seu dever permitir, você se adeque mais ao povo. Existe, como você sabe, dois tipos de popularidade: aquela quando buscamos o favor dos outros por motivo de ambição e desejo de agradar; e a outra, quando, por equidade e moderação, nós ganhamos confiança deles, de modo a torná-los dispostos a serem ensinado por nós. Você deve nos perdoar se tratamos com certa liberdade com você. Em referência a esse ponto em particular, nós percebemos que você não dá satisfação mesmo para alguns bons homens. Mesmo onde não há nada mais a se queixar, você peca neste ponto, por não dar satisfação àqueles a quem o Senhor te fez devedor. Você está ciente do quanto te amamos, e do quanto te respeitamos. Esta mesma afeição, é verdade, esse respeito nos impele a uma crítica mais direta e rigorosa, porque desejamos sinceramente que naqueles notáveis dons que o Senhor conferiu a você, nem mancha ou defeito possam ser achados de modo que o malfeitor possa encontrar falta ou mesmo falar contra ti. Isto eu escrevi aconselhado por Viret, e por conta disso usei o plural. Adeus, mais que excelente e amável irmão.

[Autógrafo original em latim. -- Biblioteca de Genebra. Volume 106.]

NOTAS:
[1] Calvino chegou a Genebra no dia 13 de setembro de 1541. Encontramos sob esta data, em excertos dos Registros do Conselho: – “Calvino, tendo chegado a Genebra, apresentou-se ao Conselho, ao qual ele trouxe cartas dos Magistrados e Ministros de Estrasburgo. Ele se desculpou por sua viagem ter sido adiada. Ele apresentou que seria necessário estabelecer o trabalho das ordenanças eclesiásticas. Resolveu-se que eles se dedicariam a isto imediatamente, e para esse fim foram designados, juntamente com Calvino, Claude Pertemps, Amy Perrin, Claude Roset, Jean Lambert, Potalia, e Jean Balard. Resolveu-se também manter Calvino aqui sempre. – Outubro de 1541. A côngrua de Calvino foi definida em quinhentos florins, doze medidas de milho e dois tonéis de vinho”. Para moradia, eles ofereceram a mansão Fregneville, comprada pelo preço de duzentos e sessenta coroas, com um corte de veludo para vestimentas.
[2]


Tradutor: Rev. Antônio dos Passos Pereira Amaral, ministro presbiteriano, pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana Filadélfia em Marabá-PA; cursando mestrado (MDiv) em Teologia Histórica pelo CPAJ – Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper/SP.

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