Introdução
Em 1546, uma tradução francesa da obra de Filipe Melanchthon de 1545, Loci communes, foi publicada em Genebra sob o título de Sumário da Teologia, ou Lugares Comuns, revisada e ampliada pela última vez por Ms. Filipe Melanchthon.[1] Em sua introdução, Calvino tem o cuidado de elogiar o braço direito de Lutero, em vez de apontar as divergências que existiam entre eles, particularmente sobre o livre-arbítrio e a predestinação.[2] Wulfert de Greef afirma: “Isso é surpreendente porque mais tarde (1552), em um debate com Jean Trolliet sobre a predestinação, fica bastante claro que Calvino e Melanchthon não concordavam e todos os aspectos”.[3]
Contudo, a falta de referência a esses assuntos talvez não seja tão surpreendente, considerando o propósito de Calvino em seu prefácio. Bruce Gordon avalia que o objetivo de Calvino era “tornar o professor de Wittenberg conhecido pelos leitores franceses como um piedoso mestre da igreja e demonstrar que havia um corpo doutrinário consensual entre as igrejas protestantes e que, ao se dirigir aos evangélicos franceses, Calvino falava com a voz comum da Reforma Protestante em geral”.[4]
É certamente uma demonstração da apreciação e magnanimidade de Calvino o fato de ele não ter permitido que essas diferenças em questões que ambos consideravam centrais prejudicassem uma amizade para toda a vida, iniciada em outubro de 1538, quando foram apresentados por Martin Bucer.[5] Calvino valorizava essa amizade, embora, por vezes, a defesa de Lutero por Melanchthon e sua submissão a ele lhe causassem angústia, particularmente no que diz respeito à doutrina da presença real nas controvérsias eucarísticas e à virulência de Lutero sobre o assunto. Na dedicatória de seu comentário sobre Daniel, ele descreveu Melanchthon como “um homem que, por conta de sua incomparável habilidade nos mais excelentes ramos do conhecimento, sua piedade e outras virtudes, é digno da admiração de todas as épocas”. Por sua vez, Melanchthon chamava Calvino de “o teólogo”.[6] A estima mútua entre eles é atestada nas cartas que trocaram, mais do lado genebrino (14) do que do lado de Wittenberg (8). Como afirma Philip Schaff, “Melanchthon era doze anos mais velho que Calvino, assim como Lutero era treze anos mais velho que Melanchthon. Calvino, portanto, pode ter mantido com Melanchthon a relação de aluno com professor.”[7]
Os dois reformadores se encontraram três vezes ao todo: em Frankfurt (1539), Worms (1540) e Regensburg (1541).[8] Após o Colóquio de Regensburg, não se viram novamente, pois Calvino havia reassumido seu cargo em Genebra em setembro de 1541, após uma ausência de três anos. No ano seguinte, Melanchthon sugeriu que Calvino respondesse ao teólogo holandês Albert Pighius, o que Calvino fez, dedicando seu tratado De libero arbitrio a Melanchthon em fevereiro de 1543. Melanchthon agradeceu a Calvino por esse gesto em maio do ano seguinte: “Fiquei muito comovido com sua gentileza e agradeço-lhe por ter demonstrado seu amor por mim ao mundo todo, colocando meu nome no início de seu notável livro, onde o mundo inteiro poderá vê-lo.”[9]
Calvino escreveu esta introdução à principal obra de Melanchthon estando plenamente ciente da diferença em suas abordagens, particularmente no que diz respeito ao problema da predestinação divina e do pecado.[10] Na primeira edição dos Loci, em 1521, e em seu Comentário de Romanos três anos depois, Melanchthon havia afirmado, assim como Lutero na controvérsia com Erasmo, que Deus faz todas as coisas não por permissividade, mas por poder, e que ele predestinou os atos humanos livres.[11] Mais tarde, ele hesitou, dizendo: “Sustento a proposição de que Deus não é o autor do pecado e, portanto, não pode desejá-lo. Davi foi levado à transgressão por sua própria vontade”.[12] Apesar dessa diferença, Calvino deixou suas reservas de lado e escreveu uma introdução excepcional. Schaff comenta: “Este é o único exemplo de um reformador republicando e recomendando a obra de outro reformador, que era a única rival formidável de sua própria obra principal sobre o mesmo assunto (as Institutas) e diferia dela em vários pontos”.[13] Calvino também teve a palavra final nessas trocas fraternas no auge da controvérsia eucarística, dois anos após a morte de seu amigo em abril de 1560, apelando a Melanchthon em uma oração sincera:
Ó Filipe Melanchthon! Apelo a ti, que agora
vives com Cristo no seio de Deus, e ali nos espera até que sejamos reunidos
contigo naquele repouso bendito. Cem vezes, quando exausto de trabalhos e
oprimido por tantas aflições, repousaste tua cabeça familiarmente em meu peito
e disseste: “Quem me dera poder morrer neste seio!” Desde então, desejei mil
vezes que nos fosse concedido viver juntos; pois certamente assim terias tido
mais coragem para a inevitável contenda, e serias mais forte para desprezar a
inveja e para não considerar como nada todas as acusações. Desta maneira,
também, a malícia de muitos teria sido refreada, os quais, de tua mansidão que
chamam de fraqueza, reuniram audácia para seus ataques.[14]
O texto
Não comentarei aqui sobre o autor, nem sobre os dons extraordinários com que ele é abençoado, graças pelas quais ele é digno de ser honrado por todos aqueles que amam as coisas de Deus. Apenas me referirei ao livro. Quanto ao seu conteúdo, trata-se de um breve resumo das coisas que os cristãos precisam saber para guiá-los no caminho da salvação. Aqui encontramos tudo o que precisamos saber sobre Deus; como devemos servi-lo; o que precisamos crer a respeito de Cristo; por que ele nos foi enviado por seu Pai; a graça que recebemos por meio dele; em que devemos fundamentar nossa esperança de salvação; como devemos invocar o nome do Senhor; o que são a verdadeira fé e o arrependimento; como podemos ser pacientes na adversidade e onde os cristãos podem encontrar verdadeira consolação; onde devemos discernir a igreja; como ela deve ser governada e quem são seus verdadeiros líderes; qual a utilidade dos sacramentos e sua administração; quais são nossas responsabilidades uns para com os outros, para com aqueles que têm autoridade sobre nós, para com aqueles que estão sob nossa responsabilidade e para com nossos iguais. Estas são as coisas às quais os cristãos devem dedicar suas vidas, se aspiram a usar seu tempo com ensinos proveitosos. Todas essas questões são abordadas neste livro e apresentadas de forma que, tanto jovens quanto adultos, recebam instruções úteis, contanto que as abordem com o desejo de aprender.
O que é louvável é que este autor profundamente erudito não se preocupou com sutilezas nem escreveu com grandeza retórica, como facilmente poderia ter feito, mas simplificou o material ao máximo, buscando apenas edificar seus leitores. Todos nós deveríamos tentar escrever dessa maneira, exceto nas ocasiões em que os argumentos falaciosos apresentados por nossos adversários nos obrigam a agir de outra forma. No entanto, a simplicidade é a maior qualidade ao lidar com a doutrina cristã. É por isso que o autor se absteve de desenvolver certos pontos em profundidade, mesmo que o justificassem.[16] Ele se ateve ao que é considerado necessário para a salvação, deixando de lado ou omitindo questões não absolutamente essenciais, sobre as quais a falta de conhecimento ou o julgamento suspenso não comprometem o resultado, como, por exemplo, a questão do livre-arbítrio. Estou bem ciente de que a apresentação feita aqui não é suficiente para satisfazer a todos.[17] Parece que as capacidades humanas recebem muita liberdade. A razão para isso é que, tendo tratado do cerne da questão, o autor prefere passar adiante e não abordar questões que não são essenciais para a salvação dos crentes. Ele parte do princípio de que o entendimento humano é cego, a tal ponto que nossa razão não pode nos conduzir a Deus ou ao conhecimento dele, a menos que Deus nos ilumine pela graça do seu Espírito Santo. Da mesma forma, nossa própria vontade é perversa e distorcida, a tal ponto que produz apenas inclinações errôneas e rebelião contra Deus e sua justiça, que, consequentemente, lhe desagradam, até que o Espírito Santo renove nossos corações.[18] Assim, vemos que ele considera a graça de Deus como a única origem de qualquer bem espiritual em nossa salvação, e que o homem não tem nada de que se gloriar. Ele, contudo, afirma que o homem possui certa liberdade no que diz respeito a esta vida terrena, no estar acordado e no dormir, em cumprir suas atividades diárias, em trabalhar, estudar ou se ocupar de negócios.[19] Por quê? Ao se limitar ao essencial, ele coloca o homem em seu verdadeiro nível, mostrando que, por si só, ele só pode se desviar de Deus e pecar, caindo assim na perdição, e que qualquer capacidade que ele tenha para fazer o bem não lhe é inerente, mas apenas pela graça de Deus. Dito isso, ele impõe limites a essa liberdade, que chama de liberdade civil, afirmando que Deus reina continuamente do alto. Não há muito o que criticar nisso. Mas era importante esclarecer ao leitor as intenções do autor, para que ninguém se ofendesse com um detalhe menor.
Pode-se igualmente dizer da questão da predestinação. Visto que hoje existem tantos espíritos rebeldes que procuram apenas satisfazer a sua curiosidade e que não conhecem a moderação, num esforço para evitar o perigo, ele prefere tratar apenas do que é necessário saber, deixando outras coisas em suspenso.[20] Se ele desenvolvesse completamente esta questão, daria vazão a um grande debate confuso e desconcertante, sem frutos nem edificação. Afirmo que nada do que é revelado nas Escrituras seja omitido, qualquer que seja o caso. No entanto, quem deseja edificar os seus leitores não deve ser culpado por se limitar às coisas que se sabe serem mais úteis, ou por apenas mencionar ou deixar de lado o que sabe ser improdutivo.
No que diz respeito aos sacramentos, um senso de humildade o levou a acrescentar a absolvição como um terceiro sacramento, além do batismo e da ceia do Senhor.[21] Visto que a absolvição aparece comumente nesse contexto, ele se adaptou à prática comum, desejando evitar controvérsias. Não que ele jamais tenha pretendido colocar a absolvição no mesmo nível do batismo e da Ceia do Senhor, conferindo-lhe o mesmo status, ou obrigar os cristãos a observá-la como se fosse um sacramento instituído por Jesus Cristo. A sua intenção não era impô-la, mas sim permitir que os cristãos recorressem a ela.[22] Isso fica claro na justificativa que ele apresenta. Ele a considera uma prática boa e útil, o que, no entanto, não é motivo suficiente para considerá-la um sacramento.
Se os leitores mantiverem o senso de proporção ao avaliar este livro que o autor demonstrou ao escrevê-lo, tudo correrá bem e nada os impedirá de se beneficiarem enormemente da leitura. Mas o problema é que muitas pessoas hoje em dia não leem livros com o desejo de aprender, seja qual for o assunto, mas sim buscam algo para criticar. E se conseguirem questionar uma única palavra, isso se torna um obstáculo que as impede de se beneficiarem de qualquer forma. Então, ignorando tudo de bom que o livro contém, orgulham-se de uma maneira que causa sua própria ruína. Pior ainda, os mais ignorantes são os mais francos e críticos. Outros são tão exigentes que um único detalhe pode afastá-los completamente, a ponto de uma única frase que não lhes agrade afastá-los do livro como um todo, mesmo que ele contenha muito conteúdo sobre o qual seria aconselhável refletir. Sem dúvida, é um truque do diabo para desviá-los e impedi-los de receber a sã doutrina que lhes é apresentada. Portanto, aqueles que desejam obter algum proveito deste livro devem cultivar um espírito ensinável, deixando de lado tudo o que for um obstáculo ao progresso, para que avancem no caminho correto que leva à pura verdade de Deus, a única coisa à qual somos chamados a nos apegar, usando esses meios humanos para nos ajudar a alcançar esse objetivo.[23]
[1] La
Somme de théologie, ou Lieux communs, revus et augmentez pour la dernière fois,
par M. Philippe Melancthon. A obra de Melanchthon, que apareceu pela primeira
vez em 1521, foi expandida em diversas edições, principalmente em 1535 e 1545,
antes de sua versão definitiva em 1559, um ano antes da morte do autor. A
“última vez” mencionada no título francês é provavelmente uma estratégia de
marketing. Foi traduzido do francês por Alison Wells, com introdução e
anotações de Paul Wells. As notas acrescentadas por mim, serão identificadas
como “nota do tradutor”.
[2] Barbara
Pitkin nota que “há ainda outro motivo pelo qual o período de 1539 a 1546
representa um campo fértil para explorar as diferenças entre as concepções de
Calvino e Melanchthon sobre a natureza humana. Foi também nesse período que
cada um desenvolveu sua própria compreensão da natureza e das capacidades
humanas, levando-as a uma expressão mais completa. Em 1539, Calvino publicou
uma edição revisada e ampliada de suas Institutas, que continha discussões
novas e detalhadas sobre a natureza humana, a natureza do arrependimento e a
vida cristã. Em 1542, publicou um tratado sobre a natureza e a imortalidade da
alma, ostensivamente uma refutação da ideia de que, após a morte, a alma ou ‘dorme’
em um estado de esquecimento até o dia do juízo final ou que, de fato, morre
com o corpo. Finalmente, em 1543, defendeu a servidão da vontade em um tratado
expressamente dedicado a Melanchthon.” Barbara Pitkin, “The Protestant Zeno: Calvin and the Development of
Melanchthon’s Anthropology” in: The Journal of Religion, vol. 84, no. 3
(July 2004), pp. 350-351. Nota do tradutor.
[3] Wulfert de Greef, The Writings
of John Calvin: An Introductory Guide, p. 193. De Greef sugere que a
referência de Calvino à “acomodação” de Melanchthon (ver o Prefácio abaixo) é
crítica, enquanto pode ser interpretada como um reconhecimento da abordagem
sensível do escritor de Wittenberg a questões difíceis.
[4] Bruce Gordon, Calvin (New
Haven: Yale University Press, 2009), p. 162. Melanchthon não respondeu à
tradução e, por não falar francês, provavelmente nunca leu o texto.
[5] James T. Hickman, “The Friendship
of Melanchthon and Calvin,” Westminster Theological Journal 38.2 (1976):
152–65. Cf. Clyde L. Manschreck, Melanchthon: The Quiet Reformer
(Eugene, OR: Wipf & Stock, 2009), pp. 254–255.
[6] Phillip Schaff, History of the
Christian Church: Modern Christianity. The Swiss
Reformation, vol. 8, p. 344 (as páginas 344–354 referem-se à Calvino e
Melanchthon).
[7] Phillip Schaff, History of
the Christian Church: Modern Christianity. The
Swiss Reformation, vol. 8, p. 344.
[8] O
Colóquio de Regensburg foi a última oportunidade realista de reunir as
confissões católica e protestante na Alemanha. Ele fracassou devido à
incapacidade de se chegar a um acordo sobre uma fórmula satisfatória a respeito
da doutrina eucarística e da questão da autoridade da Igreja.
[9] Phillip Schaff, History of
the Christian Church: Modern Christianity. The
Swiss Reformation, vol. 8, p. 348.
[10] Barbara
Pitkin conclui que “Calvino estava claramente ciente de algumas dessas mudanças
e respondeu a elas, ainda não diretamente a Melanchthon, pois continuava a
esperar seu apoio e concordância. Em vez disso, alertou os leitores franceses
de Melanchthon sobre as deficiências na abordagem do autor a temas como o
livre-arbítrio e a predestinação, no prefácio que escreveu para a tradução
francesa de 1546 dos Loci communes. Ali, Calvino adverte seus leitores
sobre a ortodoxia de Melanchthon e seu desejo de simplicidade. É esta última
qualidade, afirma Calvino, que levou o autor a conceder certa liberdade em
assuntos terrenos, a abordar a predestinação apenas superficialmente e a
incluir a absolvição entre os sacramentos. Calvino, assim, explicitou, desta
vez citando nomes, três áreas-chave de divergência, ainda convicto de que estas
refletiam meramente diferentes maneiras de ensinar e não divisões permanentes
ou intransponíveis.” Barbara
Pitkin, “The Protestant Zeno: Calvin and the Development of Melanchthon’s
Anthropology” in: The Journal of Religion, vol. 84, no. 3 (July 2004),
pp. 376-377. Nota do tradutor.
[11]
Na edição de 1521 do Loci de Melanchthon, são citados doze textos e
afirma-se que “já que tudo o que acontece ocorre necessariamente segundo a
predestinação divina, a nossa vontade não tem liberdade”, acrescentando-se em
seguida: “O que mais Paulo está fazendo em Romanos 9 e 11 senão atribuir tudo o
que acontece à predestinação divina?” Philip Melanchthon, Commonplaces: Loci Communes, 1521 (St. Louis,
Concordia Publishing, 2014), pp. 65–66.
[12] Phillip Schaff, History of
the Christian Church: Modern Christianity. The Swiss Reformation, vol.
8, p. 349.
[13] Phillip Schaff, History of
the Christian Church: Modern Christianity. The Swiss Reformation, vol.
8, p. 350.
[14] Baum, Cunitz, Reuss, eds., Ioannis
Calvini Opera Quae Supersunt Omnia, (Brunschwig: C.A. Schwetschke, 1870), vol.
9, p. 461.
[15] Segue-se
o “Prefácio de João Calvino à tradução francesa de Loci Communes de
Filipe Melanchthon” in Ioannis Calvini Opera Quae Supersunt Omnia, ed. Baum,
Cunitz, Reuss (Brunschwig: C.A. Schwetschke, 1870), vol. 9 pp. 847–850.
[16] A
marca registrada de Calvin era a simplicidade e a concisão.
[17]
As formulações de Melanchthon sobre o tema do livre-arbítrio são bem mais
abrangentes do que o tom incisivo do De servo arbitrio de Martinho
Lutero contra Erasmo (1525). Calvino provavelmente acha que Melanchthon não foi
longe o suficiente, mas se absteve de críticas explícitas.
[18]
Apesar das reservas de Calvino, sua reação moderada deve-se em parte ao fato de
que os pontos essenciais estão seguros — a pecaminosidade total do homem e a
necessidade da obra do Espírito Santo na renovação.
[19] Freedom in terrestrial things was
indicated by Luther in his argument against Erasmus, and not to be confused
with man’s incapacity in the spiritual realm, apart from regeneration. In the
1521 Loci, Melanchthon distinguishes between internal and external freedom,
Commonplaces, 76. Considered according to predestination there is no freedom in
either domain, but if the will is considered according to external works,
“natural judgment concludes that some freedom exists.” A liberdade nas
coisas terrenas foi indicada por Lutero em seu argumento contra Erasmo, e não
deve ser confundida com a incapacidade do homem no reino espiritual, exceto
pela regeneração. Em Loci (1521), Melanchthon distingue entre liberdade
interna e externa (Commonplaces, 76). Considerada segundo a
predestinação, não há liberdade em nenhum dos domínios, mas se a vontade for
considerada segundo as obras externas, “o juízo natural conclui que existe
alguma liberdade”.
[20]
Calvino respondeu em 1543 aos primeiros seis livros de Albert Pighius, Ten
Books on Human Free Choice and Divine Grace with his. A.N.S. Lane, ed, De
Libero Arbitrio in: The Bondage and the Liberation of the Will
(Grand Rapids, Baker Books, 1996).
[21] Veja Herman A. Speelman, Melanchthon
and Calvin on Confession and Communion: Early Modern Protestant Penitential and
Eucharistic Piety (Göttingen: Vandenhoek & Ruprecht, 2016).
[22]
Para Calvino, a absolvição está relacionada ao “poder das chaves” e ao perdão
por meio da pregação do evangelho, em contraste com o sacramento da absolvição.
Veja John Calvin, Institutas 3.4.14–15 e 4.19.16.
[23]
Calvino aprecia contrastar o caminho reto e estreito da verdade em Cristo com
caminhos tortuosos, “tempestuosos e incertos”. Veja, por exemplo, seu
comentário sobre Cristo como mediador único no Comentário de 1Timóteo. Opera,
vol. 42, p. 270.